Agência Folha
De São Paulo
O último eclipse total da Lua visível no Brasil neste milênio, que aconteceu na madrugada de ontem, foi considerado pelos astrônomos como o melhor evento da década - os outros ocorreram em 1996 e 1992.
‘‘O eclipse foi espetacular’’, disse Ednilson Oliveira, doutorando em astronomia do Instituto Astronômico e Geofísico da Universidade de São Paulo (IAG-USP). ‘‘Foi bem melhor que o de 1996 e quase tão bom quanto o de 1989.’’
Oliveira, que fotografou o fenômeno com uma câmera acoplada a um telescópio, observou o evento durante cinco horas e meia. ‘‘Deu para perceber que o brilho da Lua caiu bastante’’, disse. Um eclipse lunar total é causado pela interposição da Terra entre o Sol e a Lua. O satélite passa pela sombra do planeta, dando a impressão de uma ‘‘mordida’’ gradativa, até a fase total.
Apesar de o eclipse ser total, a Lua não desaparece por completo. Alguns raios vermelhos do Sol são desviados pela atmosfera da Terra e convergem para a Lua. É por isso que o satélite, durante um eclipse total, costuma apresentar uma coloração avermelhada.
‘‘Dependendo da cor da Lua durante um eclipse total, podemos obter informações sobre o grau de poluição da atmosfera da Terra’’, disse Roberto Boczko, professor do IAG-USP. ‘‘Quanto mais partículas de poluição existirem na atmosfera, mais a luz do Sol é dispersada, tornando o eclipse mais escuro.’’
Para o astrônomo Ronaldo Rogério de Freitas Mourão, do Museu de Astronomia e Ciências Afins, no Rio de Janeiro, o eclipse foi mais escuro do que se esperava. ‘‘Mas não foi tão escuro quanto o de 92’’, disse. Segundo Mourão, erupções vulcânicas como a do Pacaya, ocorrida este mês na Guatemala, ou do Pinatubo, em 91 nas Filipinas, podem colaborar para tornar um eclipse mais escuro.
Ramachrisna Teixeira, diretor de um observatório do IAG-USP em Valinhos, a 95 quilômetros de São Paulo, disse que as condições de visão do eclipse de ontem foram excelentes. Ele observou o fenômeno com mais 12 pessoas. ‘‘O céu estava 100% aberto’’, disse. ‘‘Com o céu mais escuro, nós pudemos ver mais estrelas e estrelas cadentes.’’ Segundo ele, a ocorrência de eclipses é importante para divulgar a astronomia.
‘‘O eclipse foi fantástico’’, disse Milton Barros, diretor do Observatório Municipal de Diadema, na Grande São Paulo. O observatório recebeu cerca de 300 pessoas para o evento, transmitido pela Internet, em www.observatorio.diadema.com.br/portugues.html. ‘‘Recebemos mais de mil perguntas online do Brasil, inclusive do Paraguai e do Uruguai.’’
O primeiro eclipse total da Lua do ano 2000 - o último será em 16 de julho, mas não será visível no Brasil - foi observado em vários países do Ocidente.
‘‘Eu tive uma visão excelente’’, disse Fred Espenak, astrônomo da Nasa residente em Washington, também conhecido como ‘‘Mr. Eclipse’’ graças a seu site www.mreclipse.com. Mas tempestades de neve em algumas regiões dos Estados Unidos impediram a observação do evento.
Na Flórida, região sul dos EUA, centenas de pessoas comeram churrasco e pizza em um observatório na cidade de Bradenton. Na Cidade do México, dezenas de pessoas se reuniram na praça Zócalo, região central da cidade. Uma sociedade astronômica instalou telescópios no local.
O evento também foi observado em países da Europa e da África. Países como India, China, Japão e Austrália não viram o eclipse.