Vírus podem ter ação avassaladora
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segunda-feira, 04 de maio de 2009
Luciano Augusto<BR> Reportagem Local 
Londrina - Os vírus são uma ameaça constante e, por causa de sua alta capacidade de mutação, podem atacar a humanidade de forma avassaladora a qualquer momento. Era o que muitos imaginavam que aconteceria com esse variante nova do Influenza, o AH1N1. A nova gripe, porém, até agora não deu mostras de ser tão letal. Mas isso não pode servir para baixar a guarda, adverte o médico Raul Emrich Melo, pesquisador da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), especialista em alergia-imunologia e autor do livro História e Alergia.
Conforme Melo, o vírus da nova gripe trouxe muitas especulações, alarmismos e, de fato, tem uma capacidade grande de se alastrar rapidamente devido ao período de incubação quando a pessoa está contaminada e não apresenta sintomas que é de alguns dias. Isso torna praticamente impossível evitar que o vírus se espalhe em nível mundial, porque uma pessoa infectada pode contaminar outras sem saber, aponta o especialista. Por isso, ele considera que o Brasil não ficará livre da doença mas aposta que o país tem capacidade de responder rapidamente à ameaça, mesmo considerando as diferenças regionais do sistema de saúde.
As últimas notícias, no entanto, dão a entender que este vírus não seria tão agressivo quanto se imaginava quando foram confirmados os primeiros casos no México. A própria Organização Mundial da Saúde (OMS), que havia elevado o grau de risco da doença para o de pré-pandemia (epidemia generalizada), já trata o problema de forma menos alarmista, ainda que mantenha o alerta absoluto.
Melo diz que o vírus da gripe suína trouxe novas situações e novas perguntas às autoridades e pesquisadores em saúde. Nós ainda não sabemos se a vacina existente faz alguma diferença e até que ponto os antivirais existentes são eficientes para minimizar as consequências geradas por este vírus, exemplifica. O médico analisa que, por enquanto, as medidas mais eficazes são aquelas dirigidas aos focos da doença, como fechamentos de estabelecimentos públicos, escolas e comércio, restrição de circulação de pessoas, uso de máscaras, entre outras.
Por outro lado, ele afirma que quem se dedica à infectologia está sempre esperando o surgimento de um vírus tão ou mais agressivo do que o da chamada gripe espanhola, que surgiu logo após a Primeira Guerra Mundial, em 1918, e estima-se que provocou a morte de 20 milhões a 40 milhões de pessoas. Não é o caso do AH1N1, cuja mortalidade chegaria a, no máximo, 6% das pessoas infectadas. Os pesquisadores falam da possibilidade de surgir um vírus tão agressivo quanto foi o da gripe espanhola na década de 20, mas ainda não chegamos neste cenário de um vírus que não seja sensível aos antivirais disponíveis e com alto grau de mortali-dade, adverte Melo.


