Vírus da dengue pode combater o da febre amarela
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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008
Agência Estado 
Ribeirão Preto- Parece ironia, mas o vírus da dengue pode proteger a população urbana da febre amarela. É o que apontou uma pesquisa realizada na Universidade de São Paulo (USP), em Ribeirão Preto, iniciada há três anos e concluída recentemente. ''O estudo mostrou e comprovou isso, mas in vitro, ou seja, em laboratório, não em organismo vivo'', avisa o professor do Departamento de Clínica Médica e chefe do Laboratório de Virologia Molecular da Faculdade de Medicina da USP, Benedito Antonio Lopes da Fonseca. O próximo passo, para comprovar essa proteção, seria uma pesquisa em mosquitos vivos, um processo difícil e complicado, segundo o especialista.
Não existe na USP de Ribeirão uma infra-estrutura para manter mosquitos vivos do Aedes aegypti (transmissor das duas doenças) infectados com a dengue para se injetar o vírus da febre amarela. Por isso, Fonseca e Emiliana Abrão da Costa, sua aluna de doutorado, usaram a cultura de células cultivadas em laboratório (do mosquito Aedes albopictus, primo sem fama do Aedes aegypti), que crescem em frascos especiais, sem a formação do mosquito. Por serem da mesma família, flavivírus (Aedes), Fonseca levantou a hipótese de competição entre os vírus nos insetos. E durante o experimento, feito por Emiliana, foi constatado que há interferência do vírus da dengue na infecção das células dos mosquitos da febre amarela. Ou seja, num combate dentro do mosquito, o vírus da dengue sairia vitorioso sobre o rival, da febre amarela.
O ideal seria levar a pesquisa adiante. ''O que está acontecendo? Por que acontece?'', são duas perguntas que Fonseca gostaria de obter as respostas. Porém, seria necessário ter um nível grande de contenção de mosquitos Aedes aegypti, num ''insetário''. Segundo Fonseca, no País existe apenas um, na Fiocruz, no Rio. ''Mas não sei se tem condições de fazer essa pesquisa lá'', diz o pesquisador, lembrando que é preciso ter várias barreiras de contenções dos insetos, para evitar que escapem e contaminem a população, criando até uma epidemia de uma das doenças.
''Isso é difícil e existem poucos locais no mundo com essa estrutura.'' Uma luz no final do túnel, porém, já surgiu. Em conversa num congresso recente, surgiu a possibilidade de o estudo ter sequência na Universidade da Flórida, nos EUA, com a presença de Emiliana, que ainda irá defender sua tese de doutorado neste semestre. Fonseca alerta que ainda é cedo para se comemorar.


