Washington, 28 (AE-REUTERS) - Pesquisadores informaram nesta quinta-feira (28) que descobriram uma possível forma de utilizar o vírus HIV, causador da aids, como um sistema eficiente para genoterapia.
Testes realizados em camundongos mostram que uma versão estropiada do mortal vírus - uma versão na qual apenas um único gene está intacto - poderá ser usada para produzir novos genes que podem ajudar a curar a hemofílicos.
Escrevendo na revista Science, Inder Verma e uma equipe de colegas do Salk Institute de La Jolla, Califórnia, disseram que seu altamente abreviado vírus da aids "infectou" com sucesso camundongos com células sanguíneas humanas.
Melhor ainda, eles acreditam que atingiram algumas das células-mãe - as células que dão origem a todas as outras.
No sangue, tais células-mãe hematopoéticas criam as células do sistema imunológico assim como as células que controlam a coagulação.
"Este é o primeiro bom exemplo de como tal vetor pode ser usado para introduzir genes em células-mãe hematopoéticas", disse Verma em uma entrevista por telefone.
O HIV tem apenas nove genes. Como outros vírus, é muito mais simples do que outros organismos vivos como as bactérias. A maioria dos cientistas não considera os vírus como "vivos" porque não conseguem existir nem se reproduzir por conta própria.
O que eles fazem é injetar o material genético deles - RNA no caso do HIV e vírus correlatos - em uma célula da vítima. Isto faz com que a célula comece a produzir cópias do vírus.
O grupo do Instituto Salk retirou as "proteínas de envólucro" que revestem o vírus e substituiu-as por proteínas de um vírus de gado, O HIV ataca especificamente células do sistema imunológico conhecidas como células CD4.
Substituir por um vírus de gado significa que o novo vírus submetido a processo de engenharia poderá atacar outras células também.
Eles removeram, também, os cinco genes causadores da doença, deixando apenas o gene da integrase - a enzima que se acredita o HIV use para bombear seu RNA para dentro das células da vítima.
Eles substituíram por um gene de um célula do sangue humano conhecida como CD34 e o injetaram nos camundongos. Os testes conduzidos encontraram provas da presença do gene no sangue, medula óssea e no baço dos camundongos, assim como provas de outros tipos de células do sangue humanao - indicando que as células-mãe foram realmente infectadas.
Verma espera substituir os genes humanos que controlam a produção de duas proteínas da coagulação do sangue conhecidas como Fator VIII e Fator IX, frequentemente utilizadas para tratar a hemofilia.
A genoterapia não tem funcionado muito bem a não ser em uns poucos experimentos envolvendo pacientes com doenças cardíacas. Ou os novos genes não são efetivamente absorvidos pelo corpo ou eles não se "expressam", isto é, ordenam a produção de proteínas que devem controlar durante muito tempo.
Mas neste caso, os genes vinham se "expressando" há 22 semanas quando os cientistas mataram os camundongos para examiná-los. "Isto é um quarto do tempo de vida de um camundongo", disse Verma.
Entre 5% a 15% das células dos camundongos testadas apresentaram resultado positivo quanto à presença de genes humanos. Se o mesmo nível de produção puder ser atingido em seres humanos, isso seria suficiente para tratar a hemofilia, disse Verma.

mockup