Pesquisadores do Instituto Adolfo Lutz isolaram dois tipos de arbovírus em passarinhos capturados no Parque Ecológico do Tietê, em São Paulo. É a primeira vez no País que esse tipo de vírus é isolado em aves. Pelo menos um deles, o Ilhéus, pode provocar doenças em humanos. Se um mosquito picar uma ave portadora e em seguida picar uma pessoa, ela poderá manifestar desde uma febre baixa até febres hemorrágicas que podem ser fatais.
O parque ecológico onde as aves foram capturadas fica próximo ao Aeroporto Internacional de Cumbica e é cercado por uma densa malha urbana. Cerca de 70 pessoas trabalham na área, que é aberta ao público. Os vírus isolados no parque estão entre os 537 arbovírus conhecidos no mundo. Cerca de 120 deles são capazes de infectar e provocar doenças em humanos. Um desses vírus, o Rocio, foi responsável pela epidemia de encefalite que nos anos 70 infectou 1.500 pessoas e matou 15 no Vale do Ribeira.
O outro arbovírus isolado no Parque do Tietê ainda não foi inteiramente classificado. ‘‘Ainda não podemos dizer se provoca doença no homem’’, diz Akemi Suzuki, pesquisadora da equipe.
AtaqueOs arbovírus circulam entre os vertebrados silvestres e são transmitidos de um animal a outro por meio da picada de artrópodes, uma vasta família que inclui hematófagos como os mosquitos e os carrapatos. Semelhantes aos arenavírus e aos hantavírus, os arbovírus estão confinados ao meio silvestre. ‘‘O problema aparece quando o vírus consegue se adaptar a regiões urbanas’’, diz a pesquisadora Esther Bocato, coordenadora da pesquisa no Adolfo Lutz. Essa ‘‘urbanização’’ já aconteceu com o vírus da febre amarela, no início do século, e mais recentemente com o da dengue. Os dois são arbovírus.
O ataque dos vírus silvestres costuma acontecer quando o homem provoca alterações importantes no meio ambiente, como desmatamento ou mudanças na agricultura. ‘‘Quando o homem invade o meio silvestre, ele entra no ciclo de transmissão e pode ser contaminado’’, diz Délsio Natal, que participa da pesquisa pela Faculdade de Saúde Pública da USP. A importância da descoberta do arbovírus tem mais um caráter epidemiológico, explica Luiz Eloy Pereira, que coordena o trabalho de campo do Adolfo Lutz.

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