São Paulo, 20 (AE) - A conexão total de uma empresa à Internet e o acesso às informações financeiras em tempo real serão a nova onda da administração a partir do ano 2000, na avaliação do presidente-executivo da Cisco Systems, John Chambers. A Cisco batizou de "virtual close" o novo sistema, que deve suceder os processos adotados para a certificação ISO 9000 nas últimas duas décadas. Com o "virtual close", uma empresa será capaz de fechar o balanço em apenas uma hora.
Segundo o presidente-executivo da Cisco, líder mundial em networking com valor de mercado de US$ 199 bilhões, a empresa que não estiver pronta até 2010 estará em desvantagem. "Conectando uma empresa inteira via Internet, mesmo que tenha operações em dezenas de países, o que antes era feito uma vez por trimestre agora pode ser feito a qualquer momento", afirmou Chambers em entrevista ao jornal "USA Today".
Depois da implementação do "virtual close" nos Estados Unidos, a Cisco adotou o sistema em todas as subsidiárias, inclusive no Brasil, em julho deste ano. O controller da Cisco no Brasil, Sérgio Sujoka, disse que é possível acompanhar pela rede receitas e despesas diariamente. "De qualquer país, Chambers pode acompanhar como vão as vendas em todo o mundo", afirmou Sujoka.
A palavra-chave é ganho de produtividade. Chambers citou como exemplo uma empresa que tenha um incremento de 30% nas vendas na América Latina da noite para o dia e que, com o "virtual close", consegue identificar esse movimento imediatamente e enviar uma equipe de gerentes para explorar mais essa oportunidade.
"Não se trata mais de um fenômeno de alta tecnologia", afirmou Chambers. "Toda indústria está em transição, todo país está em transição, a Internet não vai esperar por ninguém", declarou. Mas para chegar a esse nível de eficiência, a empresa tem de fazer investimento inicial na compra de servidores e outros equipamentos, além de conseguir uma coordenação entre as áreas. "O mais difícil no Brasil é mudar a mentalidade de que os funcionários podem usar a Internet para outros fins, todos precisam estar conectados", comentou Sujoka.
Na Cisco, o processo de preparação da rede e de conscientização de pessoal para o partilhamento de informações levou oito anos, testando diferente aplicativos. Mas Chambers garante que o processo agora demora quatro anos.
Segundo o presidente da Cisco, 40% dos diretores financeiros que procuram a empresa querem saber como implementar o "virtual close". A Cisco no Brasil ainda não tem uma solução para o mercado local, mas com a parceria fechada com a KPMG, os consultores que serão contratados até o próximo ano devem dar assessoria para a implantação do "virtual close".
Outra tendência em que Chambers aposta é o "virtual manufacturing", ou a capacidade de administrar todas as instalações fabris como se fossem uma só fábrica e com transparência total para fornecedores e clientes. "Com essa ferramenta, não só partilhamos informações com os fornecedores como fazemos isso no momento em que entra no sistema um pedido de compra", explicou.
A competição e a necessidade de sobrevivência são os principais motores das mudanças de comportamento nas empresas. Chambers considera legítima também uma nova onda no mercado de alta tecnologia, a da "exit strategy", o lançamento de novas empresas com a expectativa de serem adquiridas pelas grandes líderes como Microsoft e Cisco.
"Está ocorrendo uma consolidação", afirmou Chambers à revista americana "Business 2.0". "Os consumidores não querem mais vendedores na sua rede, querem menos", disse. A Cisco aplica essa filosofia, tendo adquirido 40 empresas em seis anos. "Algumas empresas são criadas para tentar chegar a uma Cisco, mas a maioria apenas tenta encontrar um nicho e ser comprada por outra", afirmou.
Seis pontos separam as empresas que vão vencer na economia digital daquelas que serão derrotadas, segundo Chambers: ter um negócio horizontalizado, adotar padrões abertos e não proprietários, atrair e manter talentos, ser rápido, ter foco no cliente e aplicar a Internet nas práticas comerciais. "Enquanto muitos ficam excitados com o e-commerce, dá muito trabalho fazer as coisas direito", disse.

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