Viriato nega envolvimento em crime
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segunda-feira, 22 de novembro de 1999
Por Cláudio Barros 
Teresina, 22 (AE) - No quarto depoimento que prestou desde sua prisão, há 45 dias, o coronel José Viriato Correia Lima, chefe do crime organizado no Piauí, negou acusações de que teria mandado matar os representantes comerciais Hélio Silva e Einaldo Liberal. Viriato disse ao juiz Joaquim Santana, da 1.ª Vara Criminal de Teresina, que policiais civis planejaram seu assassinato, apontando como autor da trama o delegado Evaldo Farias. Farias negou e disse que as acusações são "estratégia de defesa".
Viriato acusa o empresário Abraão Viana de ter planejado seu assassinato. Viana é citado como cúmplice do coronel na morte dos dois representantes comerciais. O promotor Afonso Gil Castelo Branco diz não ter dúvidas da participação dos dois no crime e considera o "plano" para a morte de Viriato uma estratégia da defesa.
A Polícia Federal informou que, na sexta-feira, o radialista Telsírio Alencar revelou ter uma empresa de fachada em sociedade com o deputado estadual Silas Freire (PMDB). A empresa Dedetiza Total venderia notas fiscais frias para encobrir gastos com serviços não realizados de dedetização. Freire nega as acusações.
Amanhã (23) são esperados em Teresina quatro deputados da CPI do Narcotráfico: Antônio Carlos Biscaia (PT-RJ), Cabo Júlio (PL-MG), Ricardo Noronha (PMDB-DF) e Waldemir Moka (MT). Eles têm encontros com o procurador Tranvavan Feitosa, o superintendente da PF Robert Magalhães e o promotor público estadual Afonso Gil Castelo Branco. Os parlamentares colhem indícios de ligações entre Viriato e o narcotráfico no Norte do País.
A CPI investiga se o crime organizado no Piauí funcionava como "entreposto" para fornecimento de armas aos traficantes que agem na Amazônia.


