Brasília, 3 (AE) - O líder do governo no Congresso, deputado Arthur Virgílio Neto (PSDB-AM), rebateu há pouco, em pronunciamento da tribuna da Câmara, as críticas feitas a ele e ao líder do PSDB na Câmara, Aécio Neves (MG), pelo presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães(PFL-BA). Os dois deputados haviam anunciado seu propósito de trabalhar para modificar, na Câmara, a proposta de emenda constitucional que restringe a edição de medidas provisórias pelo presidente da República, aprovada anteontem no Senado.
Ontem, Magalhães disse que essa postura dos deputados é algo "tão criminoso com a instituição que eu não acredito que eles tenham dito. Afinal de contas, quando um sujeito, por qualquer interesse, deixa de defender a instituição da qual faz parte, é melhor, evidentemente, que renuncie".
Virgílio disse que, se o presidente do Senado quiser ter uma boa convivência com ele, é melhor respeitá-lo. "Não estou aqui para tomar pito de ninguém. Não sou Hildebrando Pascoal e não há ditadura para cassar o mandato de uma pessoa altiva como eu", rebateu. "Prefiro o clima temperado, mas sei lutar também no caldeirão do inferno. Se algum de nós dois tiver que renunciar, é ele, e não eu".
Levantamento - Em apoio a seu propósito de lutar, na Câmara, por mudanças na proposta de emenda constitucional que limita o poder do presidente da República de editar MPs e, também, em resposta a ACM, que o criticou por isso, o deputado Arthur Virgílio Neto (PSDB-AM), apresentou há pouco um levantamento feito pela liderança do governo que mostra que o presidente Fernando Henrique Cardoso não é o campeão na edição de medidas provisórias. A média mensal de medidas originais editadas pelo presidente em seu primeiro mandato foi de 3,33 e, no segundo, 3,81. Virgílio comparou esta média com a dos ex-represidentes José Sarney, que foi de 7,35 por mês, e Itamar Franco, com 5,42. Apenas Fernando Collor teve uma média inferior (2,93), segundo o levantamento da liderança. Entretanto, na reedição de MPs, conforme Arthur Virgílio, Fernando Henrique ganha disparado. Ele reeditou 3.406 das 3.865 reedições. O líder disse que o problema das reedições é do Congresso, que não vota as MPs.
Ele rebateu, também, as críticas de ACM a Fernando Henrique. Ontem, Magalhães disse que viver autoritariamente para quem pregava a democracia é intolerável. Virgílio lembrou que quem apoiou o regime autoritário foi ACM, e não Fernando Henrique e ele próprio (Virgílio). O líder do governo insistiu em que, se o presidente do Senado o respeitar, será respeitado, mas que, se houver uma tréplica ofensiva por parte do senador, vai também baixar o nível.

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