Viradouro leva a magia de Florianópolis para a Sapucaí
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quarta-feira, 10 de fevereiro de 1999
Por Murilo Fiuza de Melo 
Rio, 10 (AE) - Reza uma antiga lenda de Florianópolis (SC) que, em noite de lua cheia, as mulheres do lugar transformavam-se em feitiçeiras. Um belo dia, porém, um dos elementos da poção mágica responsável pelo encanto, acabou. Desesperadas, as mulheres- feitiçeiras resolveram pedir ajuda aos índios carijós e seus poderes sobre a natureza. Os pagés, sensibilizados, transformaram uma delas em borboleta. A escolhida tinha a missão de viajar até as Índias à procura do elemento em falta. Apesar da longa distância, a borboleta conseguiu o prometido. Da lenda, surgiu a inspiração que hoje emoldura outdoors e cartazes turísticos de Florianópolis, conhecida como a "Ilha da Magia".
A história com ar onírico, bem ao gosto de Joãosinho Trinta, acabou virando o tema do carnaval de 99 da Unidos do Viradouro, escola do carnavalesco, que transformou a mais conhecida heroína de Santa Catarina, Anita Garibaldi, no principal personagem do enredo.
Embora "Anita Garibaldi, a heroína das sete magias" traga um forte apelo turístico favorável a Santa Catarina, Joãosinho Trinta garante que sua intenção não foi escrever um enredo caça- níqueis, de olho numa ajuda oficial da prefeitura de Florianópolis ou do governo daquele Estado. "Minha intenção era apenas pegar um tema abstrado, de sonho, para falar de Anita Garibaldi, um verdadeiro símbolo da bravura da mulher brasileira", justifica o carnavalesco. "Detesto esses enredos comerciais", pontua.
Como em 1997, quando a Viradouro foi campeã, Joãosinho colocou toda a sua criatividade nos sete carros alegóricos, que, segundo ele, vão deixar o público de queixo caído. O abre-alas pretende ser tão abstrato como foi o carro todo preto sobre o "Nada", que abriu o desfile campeão de três anos atrás sobre a ciração do Universo. "O abre-alas trará, justamente, o resumo da Ilha da Magia, com seus mistérios e lendas", explica o carnavalesco. Ele ressalta que cada carro representará uma magia.
O segundo enfocará José Garibaldi, que junto com a mulher, é considerado figura nacional na Itália, por sua luta pela unificação daquele País. Assim como Anita, a borboleta-mulher do enredo da Viradouro, José Garibaldo também tinha lá seu lado esotérico, diz o carnavalesco. "Ele pertencia a uma ordem secreta, a de São Simão", conta. O terceiro, quarto e quinto carros são dedicados às forças mágicas dos índios carijós, dos corsários e dos negros africanos.
Na visão de Joãosinho, os corsários foram responsáveis pela abertura dos caminhos para as aventuras e audácias de Anita por Santa Catarina. Os tambores africanos, por sua vez, marcam as danças sagradas, que invocam as magias de deuses poderosos. O sexto carro é uma grande alegoria sobre a miscigenação cultural e racial do Estado, que recebeu influência não só dos índios, negros e portugueses, mas também de imigrantes alemães, austríacos e franceses.
O último carro é o que o carnavalesco classifica como a "glorificação de Anita". Ele terá uma imensa alegoria de um cavalo com a personagem no dorso. "Anita representa a heroína de dois mundos - do Brasil e da Itália", define.


