Paris, 20 (AE) - O cansaço da esquerda européia Massimo DAlema demitiu-se. Isso significa que a experiência centro-esquerda teve um tempo na Itália e que a direita está de volta? Aliás, uma direita dura, uma vez que o "pólo das liberdades" que atrai o flamejante Silvio Berlusconi inclui também dois partidos bem próximos da extrema-direita: A "Aliança Nacional", de Giancarlo Fini, reconhece que é neofascista. A "Liga do Norte", de Umberto Bossi, preconiza a autonomia da região do Rio Pó (norte da península) e uma cruzada anti-imigrantes.
Certamente, nada aconteceu. Daqui até sexta-feira haverá um esforço de dar a DAlema um sucessor da mesma centro-esquerda (Giuliano Amato?).
Mas a operação será difícil e, de qualquer maneira, um fato é certo: desde as eleições regionais de domingo, a direita é majoritária, se não no Parlamento, pelo menos, no país: 37 milhões na direita e 16 milhões na esquerda.
Essa virada da Itália está ligada a um movimento que se tenta fazer em outras partes da Europa. Há dois anos, a Europa era "socialista", de Londres a Bonn, de Roma a Paris. Hoje, dois estalidos se fazem ouvir.
A Espanha era a única exceção de direita com José Maria Aznar.
Certamente, pensava-se que, com as últimas eleições, o partido socialista do brilhante Felipe Gonzalez, aliado aos resíduos do partido comunista, poderiam abater Aznar. O que aconteceu foi o contrário: a erosão do poder não atingiu Aznar. Ele continua.
Outro caso extraordinário é o da Grécia. Os socialistas detinham as manivelas há anos e sua gestão era boa. Aplicando uma linha de seriedade e austeridade, os socialistas tinham recolocado todos os "básicos" em bom estado. De acordo com a lógica, eles teriam de triunfar, principalmente porque as diferentes "direitas" disputavam entre si. Ora, nada disso. Na verdade, os socialistas mantêm o poder. Mas sua vitória é estreita. Eles perceberam o perigo.
Na Alemanha, o primeiro-ministro Gerhard Schr”der - social-democrata - está no poder e teve, há poucos meses, uma "divina surpresa": o ex-chanceler Helmuth Kohl, símbolo dos conservadores e personagem inconteste, deu provas de "escândalo" gravíssimo que remonta aos tempos que ele estava no poder. Seu partido, a União Democrata-Cristã - CDU - (conservadores) foi difamado. "Encheu-se de água" como um velho navio arrebentado pelos recifes. Schr”der comemorou. Os deuses estavam com ele. A desagregação da CDU garantiu-lhe permanecer no poder durante anos.
Ora, nas eleições parciais seguintes, a CDU, longe de naufragar, reforçou-se. Além disso, ela se muniu de uma nova presidente, Angela Markel, uma dama enérgica que, em poucos dias
acabou com o mau-cheiro que espetava a direita.
Hoje o Partido Social-Democrata (SPD) de Schr”der continua no comando, mas é frágil. Bastaria que seus aliados, "os Verdes", se distanciassem e Schr”der entraria em uma zona de tempestades.
Nos dois outros grandes países, Inglaterra e França, os socialistas resistem. Na França, mesmo que Lionel Jospin balance um pouco, continua sólido. Na luta contra os erros de dois de seus ministros (das Finanças e da Educação), ele prontamente remontou sua equipe, e ei-la em forma novamente.
Na verdade, a "direita" também se reforça, como em toda a parte, mas como ela é "mais besta" do que em qualquer outro lugar, e corroída por suas querelas narcisistas, a "esquerda", que continuou unida, resiste.
Finalmente, a Inglaterra: eis um exemplo de êxito do socialismo. Tony Blair reina. Ele é ativo. Faz o que quer. Abraça Putin. É uma autoridade tranquila, sorridente, e não se vê como a direita poderia derrubar sua coroa. Portanto, se é verdade que a "esquerda" sofre de algumas doenças na Europa, em compensação, ela não tropeça na Inglaterra.
No entanto, se olhamos mais de perto, o exemplo de Tony Blair deve ser interpretado ao contrário: na verdade, se Tony Blair está obstinado, não se sabe bem por quê, em se declarar socialista, na realidade, ele privatiza tudo o que escapou da madame Thatcher. Ele distribui assistência social apenas com conta-gotas, considera a experiência francesa de "35 horas semanais" com distração, "preso na roda" de sua maravilhosa América, sonha apenas enganchar seu país no trem da nova economia, globaliza, desregula, flexibiliza com um golpe de braço, com seus indestrutíveis sorrisos.
Assim, o êxito do socialismo na Inglaterra não passa de uma ilusão, de um engano. O socialismo de Blair é uma máscara, um disfarce encarregado de dar um ar progressista a uma política conservadora.
Portanto, Tony Blair seria mais uma prova, e a mais eloquente
do recuo - talvez provisório, evidentemente - do que se denominou "a Europa rósea".

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