PARIS, Ene- O antiinflamatório Vioxx pode ter causado entre 88 mil e 140 mil casos de doenças cardiovasculares nos Estados Unidos desde que chegou ao mercado, em 1999, segundo estudo realizado por um médico da Agência Americana Reguladora de Alimentos e Remédios, (FDA), divulgado ontem no site da revista britânica ''The Lancet''.
David Graham, médico especialista, disse no início de janeiro que estava decidido a publicar, apesar das pressões, a versão atualizada de seu estudo, que mostra o perigo do Vioxx para o coração, no qual sugere que cerca de 139 mil americanos morreram ou foram afetados por este medicamento.
Este antiinflamatório era prescrito para sintomas das afecções reumáticas como a artrose, antes de sua retirada do mercado em setembro do ano passado.
As pessoas que tomavam Vioxx tinham chances 34% maiores de sofrer acidentes cardiovasculares que os pacientes que tomavam outros antiinflamatórios não esteróides (AINS) para aliviar a dor, segundo David Graham, diretor adjunto da FDA, que se encarrega de avaliar a inocuidade dos medicamentos.
David Graham e seus colegas estudaram o histórico médico de 1,39 milhão de pacientes californianos que tomaram este tipo de medicamento entre janeiro de 1999 e final de dezembro de 2001.
Destes pacientes, 8.143 sofreram uma doença cardíaca grave - 5.799 deles com infarto de miocárdio-, dos quais 27% morreram.
Este grupo de doentes foi comparado a um grupo de controle de cerca de 31.500 pessoas que utilizavam o medicamento Celebrex, outro antiinflamatório da família dos coxibs, utilizado como alternativa ao Vioxx.
As pessoas que tomavam rofecoxib, o nome científico do Vioxx, corriam 1,6 vez mais riscos de sofrer uma doença cardíaca que as que utilizavam celecoxib (nome científico do Celebrex).
Com uma dose de Vioxx inferior ou igual a 25mg/dia, o risco aumentava 1,5, e com uma dose alta (mais de 25mg/dia), se multiplicava por 3,6.
O estudo mostra também um risco superior a 14% do paciente sofrer alterações cardíacas se for uma pessoa que toma também naproxeno, enquanto que estudos precedentes sugeriam um efeito protetor desta molécula contra doenças cardíacas, de acordo com os autores.
''Estima-se que houve entre 88 mil e 140 mil casos adicionais de doenças cardíacas graves ocorridas nos Estados Unidos durante o período em que o rofecoxib foi comercializado'', conclui David Graham, que recomenda prudência em relação a ensaios futuros que mostrem um novo medicamento que envolva mais riscos de efeitos secundários que os tratamentos habituais.

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