Violinista Menuhin morre em Berlim aos 82 anos
Berlim, 12 (AE-REUTERS) - Morreu nesta sexta-feira em Berlim, aos 82 anos, em decorrência de parada cardíaca, o violinista americano Yehudi Menuhin, um dos maiores do século. A crise cardíaca foi consequência de uma bronquite que Menuhim sofria havia algum tempo.
Uma porta-voz de Menuhin na Grã-Bretanha, onde o virtuoso estabeleceu residência, disse que ele morreu às 00h45 no Hospital Martin Luther em Berlim depois de uma doença muito breve.
Na terça, sir Menuhin (que tinha o título de lorde britânico) deveria dirigir um concerto em Berlim à frente da Sinfônica de Varsóvia, com um programa que incluía Félix Mendelssohn-Bartholdy e Johannes Brahms. O concerto foi cancelado por conta de seu estado de saúde.
Menuhin, que nasceu em 22 de abril de 1916 e era filho de uma família russa que emigrou para os Estados Unidos, começou a tocar violino aos 5 anos, revelando-se um músico prodígio. Aos 7 anos, já tocava na Sinfônica Espanhola de Lalo, em São Francisco. Depois, subiu ao Carneggie Hall e não parou mais.
Em 1927, estreou em Paris nos Concertos Lamoureux. Começava aí uma brilhante carreira internacional, com aclamação em 1929 em Berlim, onde interpretou os concertos para violino de Ludwig van Beethoven, Johann Sebastian Bach e Johannes Brahms.
Sua primeira turnê mundial, em 1935, o levou a 63 cidades. Durante a 2.ª Guerra, deu mais de 500 concertos para a Cruz Vermelha e os aliados. Convidado a visitar a Índia em 1952, descobriu ali as filosofias orientais que o acompanhariam doravante, como a ioga e a meditação. Em 1956, criou o Festival de Gstaad, na Suíça, e cinco anos mais tarde começou uma segunda carreira como diretor de orquestra, com a criação e a formação do Festival de Bath.
Menuhin nunca pisou numa escola, mas seus títulos acadêmicos honoríficos são inumeráveis. Também tinha como atividade a produção de ensaios sobre música, geralmente muito influentes. Assombrou o mundo fazendo exercícios de ioga perante a rainha Elizabeth II, que acabou por conferir-lhe o título de lorde britânico. Era um ser humano excepcional, admirador e incentivador de jovens músicos.
Conheceu quase todos os grandes músicos do século: Elgar, Toscanini, Busch, Furtwaengler e também Herbert von Karajan. Consta que, após uma interpretação ao violino de Bach, Beethoven e Brahms, Albert Einstein, que estava na platéia, proclamou: "Agora sei que existe um Deus no violino."
Tinha uma grande paixão pela política e pelos direitos humanos. Judeu, amava os compositores alemães, como Bruno Walter e Adolf Busch, seu mestre. Foi o primeiro que, após a Guerra, pode atuar em Jerusalém apresentando obras de compositores alemães e, em dezembro de 1989, logo após a queda do Muro de Berlim, Menuhin se apresentou com a Staatskapelle de Berlim Oriental.
O comunicado de sua morte foi divulgado em Londres por funcionários da escola Yehudi Menuhin, avisados pela filha do músico, que estava em Berlim. Ele, que adotou a cidadania britânica em 1985, centralizava suas atividades pedagógicas na Inglaterra, embora passasse a maior parte do tempo em turnê.





