Violência supera a média nacional
PUBLICAÇÃO
sábado, 22 de maio de 1999
Marccio W. Varella 
Números do Ministério da Justiça e da Organização das Nações Unidas mostram que a taxa média de homicídios no Paraná é maior do que a média nacional, revelou ontem em Maringá o conselheiro Narciso Pires do Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH). Pires é um dos cinco dirigentes nacionais do MNDH e está no Paraná desenvolvendo uma campanha denominada Paz - a vida vale mais.
A campanha consiste na formação de centros regionais do Movimento, que tem 346 entidades filiadas, está presente em todos os Estados brasileiros, mantém relações permanentes com 180 entidades internacionais e é considerada hoje a maior rede de direitos humanos da América Latina.
Segundo Pires, o Brasil há dois anos mantém uma média de 29,17 assassinatos para cada grupo de 100 mil pessoas. Em Curitiba, a taxa sobe para 29,40 e no interior do Paraná, onde a exclusão social é explícita, a média é maior ainda: 38,40. Segundo a ONU o Brasil é um dos três países mais violentos do mundo. Aqui, 88,4% dos assassinatos são praticados com armas de fogo. Existem 1,6 milhão de armas legais e mais 3,2 milhões de armas ilegais, o que totaliza 4,8 milhões de armas de fogo, enumera.
É a exclusão social, a desigualdade, a concentração da riqueza, a miséria, a falta de oportunidade, o desemprego, a má qualidade da educação - tudo isso provoca a violência. No caso dos homicídios, a maioria é praticada por motivos fúteis sempre coma presença do álcool, diz.
Sobre a distribuição da renda, ele lembrou dado da ONU sobre a questão: 250 famílias do planeta têm riqueza equivalente ao salário de 2,4 bilhões de pessoas. Aqui no Brasil, dos nossos 178 mil presos, 98% deles, segundo o Ministério da Justiça, não têm como contratar advogados, critica.
Na semana passada, Pires entregou ao secretário nacional de Direitos Humanos José Gregori, em Curitiba, documentos e depoimentos de sem-terra que provam que está havendo violência nas desocupações de fazendas no Noroeste do Estado. Entregamos também a ele um pedido para que investigue o trabalho da juíza Elizabeth Khater, de Loanda, que temos certeza de estar beneficiando os fazendeiros da região. Pedimos também que o Ministério da Justiça investigue o major Valdir Neves, uns dos que comandam a operação de desocupação no Noroeste e que está envolvido com torturas, inclusive de PMs.
Segundo ele, as denúncias serão entregues esta semana ao desembargador Sidnei Zappa, presidente do Tribunal de Justiça do Paraná.
A campanha do MNDH tem por objetivo reorganizar a sociedade, implantando centros de direitos humanos nas escolas, fábricas, nos sindicatos, entre os profissionais de imprensa, formando campanhas contra o frio, a fome, pela cidadania.


