Cairo, 03 (AE-AP) - As forças de segurança egípcias conseguiram hoje (03) esmagar a violência religiosa que se espalhou pela região sul do país nos últimos três dias e causou a morte de pelo menos 20 pessoas.
Segundo o bispo cristão copta Wissa, cuja paróquia engloba vários dos vilarejos atingidos pelos distúrbios, todos os mortos são cristãos de el-Kusheh, um vilarejo de 23 mil habitantes localizado a 440 quilômetros ao sul do Cairo.
El-Kusheh e o badalado vizinho de Dar es-Salaam foram o centro da violência islâmica, que deixou também 44 pessoas feridas, 34 das quais permanecem hospitalizadas. Dezenas de prédios e veículos foram incendiados. A violência atingiu também a localidade de Awlad Toq West.
Hoje, a situação começou a voltar ao normal depois que as forças de segurança impuseram o toque de recolher. Os distúrbios foram desencadeados por uma briga, em el-Kusheh, entre um vendedor ambulante muçulmano e o proprietário cristão de uma loja. Em Dar el-Salam, testemunhas contaram que dezenas de lojas pertencentes a cristãos foram saqueadas e incendiadas.
A Polícia abriu fogo para dispersar a multidão de baderneiros e muitos responderam aos tiros. Um reforço foi convocado para tentar restabelecer a ordem. Segundo o ministério do Interior, moradores de el-Kusheh subiram nos telhados e dispararam contra as forças de segurança.
O governo atribuiu os distúrbios a "elementos criminais que buscam a violência e manipulam as reações conflitantes entre muçulmanos e cristãos no que diz respeito a questões comerciais".
As autoridades prenderam várias pessoas que participaram dos distúrbios e apreenderam carros que transportavam produtos saqueados. Os incêndios já foram apagados.
El-Kusheh virou notícia em todo o mundo em 1998 devido às alegadas práticas brutais da Polícia contra os cristãos. Os cristãos coptas são a maior minoria religiosa no Egito predominantemente muçulmano, representando 10% dos 64 milhões de habitantes. Mas em el-Kusheh, 75% da população são coptas.

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