Violência reduz expectativa de vida
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terça-feira, 09 de março de 1999
Por Irany Tereza. 
Rio, 10 (AE) - A violência reduziu em 2,5 anos a expectativa média de vida dos homens no Brasil e em 3,5 anos nos Estados do Sudeste, mais violento. A distinção entre os sexos se dá porque os assassinatos ocorrem com muito mais frequência entre os homens, especialmente jovens de 15 a 29 anos. No Sudeste a taxa de homicídios atingiu, em 1996 (último ano pesquisado), 12 vezes mais entre o sexo masculino.
Apesar do dado negativo, a pesquisa do IBGE mostra um aumento da expecativa de vida do brasileiro, que hoje é de 67,8 anos. As mulheres vivem mais, chegam em média aos 71,1 anos, enquanto a média dos homens não passa dos 64,1 anos. No Sudeste, a diferença é bem maior e chega a passar de nove anos: enquanto os homens vivem 64,6 anos, as mulheres chegam aos 73,7 anos.
Jovens - A violência urbana é responsável por dois terços das mortes de jovens na Região Sudeste do País. O Rio de Janeiro é o Estado de maior incidência de mortes violentas (acidentes, homicídios e suicídios) na faixa de 15 a 19 anos: 79 5%. Segundo demonstra a pesquisa Indicadores Sociais do IBGE, o Brasil é hoje o segundo país em número de homicídios da América do Sul, atrás somente da Colômbia, que vive a sangrenta guerra do narcotráfico.
A cada 100 mil habitantes entre 15 e 29 anos, são assassinados 215 homens e 13 mulheres no Rio. Em São Paulo a relação cai, mas ainda é alta: 134 homens e nove mulheres; no Brasil, não 83 homens e 7 mulheres mortos a cada grupo de 100 mil..
Apesar de ter crescido a estimativa de vida do brasileiro de uma maneira geral, consequência dos avanços da medicina e do baixo crescimento da natalidade, as mortes de jovens puxam para baixo a média de vida. "O impacto é direto, especialmente na população masculina, onde há muitos jovens sendo assassinados antes de atingir a maioridade", diz o técnico Celso Simões, que trabalhou na pesquisa.
O Rio é o Estado que mais preocupa, já que o número de assassinatos de jovens em 1996 foi duas vezes e meia maior do que o verificado em todo o País. A maioria das mortes (87%) foi causada por armas de fogo. As taxas de mortalidade de jovens assassinados a tiros no Rio, segundo a pesquisa, chega ao triplo do registrado no País. A cada grupo de 64 jovens assassinados na Região Sudeste, 40 são por armas de fogo, três por instrumentos cortantes e 21 por outros meios.
Apesar de serem mais frequentes nos grandes centros urbanos do Sudeste, os assassinatos também se repetem entre jovens de alguns estados do Norte e Nordeste. Em Pernambuco, por exemplo, em cada grupo de 100 mil homens entre 15 e 29 anos, 139 são mortos, índice superior ao registrado em São Paulo: 134. No Amapá os homicídios também são alarmantes: 138 a cada grupo de 100 mil homens nesta faixa de idade.
Homicídios - Região Sudeste, que registrou a mais expressiva melhoria social brasileira em itens como saúde, educação e qualidade de vida, foi também a que teve a maior aceleração da violência. As taxas de homicídio vêm crescendo ano a ano em todo o País desde 1980, passando de 13,4% das mortes em 1980 para 25% dos óbitos registrados em 1995 e 1996, os dois últimos anos estudados.
"A situação brasileira é preocupante quando se verifica a perda de jovens por homicídios", diz Lilibeth Roballo Ferreira, que coordenou o tema da pesquisa relativo à saúde. "Este é um dos dados que demonstra como é complexa a realidade social do Brasil", concorda o presidente do IBGE, Sério Besserman.
Para se ter uma idéia da desproporção, a mortalidade no Brasil que não é causada por doença ou outro fator natural representa 15,4% do total de óbitos. Entre os jovens entre 15 e 19 anos este porcentual aumenta para 72,2%, enquanto na população adulta, entre 40 e 49 anos, recua para 21,9% e cai ainda mais na meia-idade, entre 50 e 59, com 10% dos registros.
Para a tabulação destes dados foram usadas informações do Ministério da Saúde, Fundação Nacional de Saúde, Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde e Sistema de Informações sobre Mortalidade.


