Violência preocupa mais a classe média
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 27 de outubro de 2005
Alexandre Rodrigues e Karine Rodrigues<br>Agência Estado 
Rio - A violência urbana tornou-se uma questão nacional, mas a pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV) mostra que a segurança não é a preocupação principal dos brasileiros mais ricos e dos mais pobres. É um pesadelo mesmo para a classe média.
De acordo com o Índice de Condições de Vida (ICV) elaborado pela FGV a partir dos dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) entre 2002 e 2003 e divulgada no início deste ano, a violência não é a principal insatisfação das classes A e E.
Neste segundo estudo com base na POF, os pesquisadores analisaram os dados de 26 capitais e do Distrito Federal e apresentaram como novidade um índice específico para a violência. Os resultados sugerem que, enquanto os mais ricos se queixam mais de problemas ambientais ou com vizinhos e os mais pobres esperam melhores condições de habitação, a violência aflige mais as classes B, C e D.
A campeã de queixas em relação à violência é Belém (PA), cuja avaliação é 79,04% abaixo da média do País. A capital paraense é seguida no ranking da insatisfação em relação à segurança por Belo Horizonte (MG) e Porto Alegre (RS), centro de duas das maiores regiões metropolitanas do País, com -60,06% e -38,51%, respectivamente.
Na análise por faixas de renda das variáveis com maior nível de insatisfação, a preocupação com a violência só é a mais citada entre a classe A, com renda acima de R$ 7,4 mil, em Teresina (PI), Fortaleza (CE), Natal (RN), Belo Horizonte (MG), Curitiba (PR), Porto Alegre (RS) e Brasília (DF). Nas outras cidades, prevalecem questões ambientais. Em São Paulo, é a poluição que mais assusta os ricos. No Rio, quem tem mais renda atribui a desentendimentos com vizinhos o principal risco à sua qualidade de vida.
Já entre os mais pobres, cuja renda não ultrapassa R$ 300, a violência é a queixa principal apenas em Natal (RN), Recife (PE), Vitória (ES) e Porto Alegre (RS). Serviço de água, em São Paulo, e condições de moradia, no Rio, são mais citados entre os mais pobres.


