Violência preocupa Chitãozinho e Xoxoró
Mário CésarChitãozinho e Xororó na coletiva ontem antes do show na ExposiçãoA gente faz um trabalho honesto, batalhou muito, e agora está preso em casa enquanto os bandidos estão na rua. O desabafo é do cantor sertanejo Chitãozinho, parceiro do irmão Xororó, em entrevista coletiva ontem no começo da noite no Hotel Crystal, área central de Londrina. Ele comentava sobre a violência que tem atingido muitos artistas brasileiros e que teve como ponto mais crítico o sequestro de Wellington de Camargo, irmão de outra dupla de sertanejos, Zezé Di Camargo e Luciano.
Chitãozinho e Xororó falaram à imprensa pouco antes do show Pura Emoção, que fariam no Recinto de Shows João Milanez, no Parque Ney Braga, durante a 39ª Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina. Chitãozinho lembrou que mesmo ele e o irmão acabaram vítimas de assalto, no final do ano passado, no trânsito de São Paulo. Rendidos por um rapaz armado com uma pistola semi-automática, foram obrigados a entregar os relógios. É uma sensação muito ruim. Mas o pior mesmo ocorreu com o Wellington, lamentou Chitãozinho.
A gente vê isso com muita tristeza. É muito difícil se sentir com uma arma apontada para a cabeça, sentir que a outra pessoa está nervosa e pode puxar o gatilho, acrescentou Xororó. Ele observa, porém, que apesar dos últimos incidentes a classe artística, assim como toda pessoa pública, normalmente está fora da lista de sequestradores. O motivo é a repercussão que o crime acaba criando, como foi no caso de Wellington.
Os irmãos sertanejos - que têm 28 anos de carreira e já venderam 20 milhões de discos - acreditam ainda que qualquer projeto destinado a diminuir o crime no País tem que passar não só por ações imediatas, como o desarmamento da população. Para eles, também é decisivo o investimento em educação e em programas sociais - com combate a fome e ao desemprego. Não adianta ter só lei. Tem que dar condições para as crianças estudarem, diz Xororó.
Para evitar novos imprevistos, a dupla mantém um esquema de segurança rígido, com oito profissionais que os acompanham o dia todo. Onde a gente vai eles vão, revela Chitãozinho. Ele informa ainda que a dupla também estará envolvida num projeto contra a violência, que está sendo organizado pelos irmãos Zezé Di Camargo e Luciano e que deverá ser lançado ainda este semestre.





