Teerã, 10 (AE-AP) - A violenta repressão policial a estudantes, iniciada com a invasão da sexta-feira à noite da Universidade de Teerã, levou hoje (10) o ministro da Cultura e Educação Superior iraniano, Mostafa Moin, a demitir-se e a advertir que a situação no país pode causar um "conflito nacional". Em várias regiões do Irã, grupos de estudantes voltaram às ruas hoje para expressar seu repúdio à ação policial em Teerã. Novos confrontos com agentes das forças de segurança e militantes radicais xiitas foram registrados.
O ministro demissionário é partidário do presidente moderado do Irã, Mohammad Khatami. Os últimos episódios de violência política têm sido interpretados como uma consequência da luta pelo poder entre Khatami e a linha dura do regime islâmico, representada pelo líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei.
"As forças de segurança invadiram, perto da meia-noite de sexta-feira, um câmpus universitário e agrediram estudantes inocentes num incidente trágico, que constitui uma violação do respeito à universidade e à honra dos universitários", disse Moin em sua carta de demissão. "Considero tal incidente, inaceitável de qualquer ponto de vista, uma decisão tomada por grupos que têm o objetivo de criar confusão na sociedade, sabotar a evolução política no Irã e minar o sistema da república islâmica."
As autoridades não informaram o número de mortos e feridos no incidente, mas fontes universitárias e jornais ligados a Khatami dizem que entre três e sete estudantes perderam a vida e centenas foram atendidos em hospitais com ferimentos graves. Cerca de mil manifestantes foram presos, de acordo com essas fontes.
Outro ministro aliado de Khatami, o do Interior, Abdolvahed Musawi-Lari, teve o carro atacado por radicais xiitas depois de ter prometido iniciar uma investigação "até as últimas consequências" para encontrar os culpados pela invasão da universidade.
Numa nota oficial, o aiatolá Khamenei, que tem sob seu comando a polícia, as Forças Armadas e a Guarda da Revolução, qualificou o incidente de "lamentável".
A polícia - que inicialmente disse não ter agido na universidade, atribuindo o ataque aos radicais pró-governo - reconheceu hoje ter participado da repressão, mas acusaram os próprios estudantes pelos confrontos. "Cumprimos com nosso dever e obedecemos a ordens superiores", informou uma nota oficial. "Instigado por um grupo de provocadores, uns 200 estudantes atacaram os policiais à paisana que cumpriam uma ronda de rotina."

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