Violência no campo e ITR desvalorizam terras
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 20 de outubro de 1997
Ivana Diniz Machado Agência Estado 
Agência Estado
(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)Jungmann: examinando propostasA crescente violência no campo, o novo Imposto Territorial Rural (ITR) e a estabilidade do Real estão desvalorizando as terras, elevando as desapropriações a níveis inéditos no País e ajudando a política agrária do governo, avaliam a Confederação Nacional da Agricultura (CNA) e do Ministério de Política Fundiária. Ontem, o ministro Raul Jungmann voltou a afirmar que o governo cumprirá a meta de assentar 80 mil famílias até dezembro. Esta semana fomos procurados por dois grandes proprietários de terra do Rio Grande do Norte e vamos examinar a proposta deles, revelou. Ele apresentou gráficos para provar a curva ascendente dos assentamentos no segundo semestre, como aconteceu no ano passado, mas projetando um resultado de 85 mil famílias assentadas contra 62 mil em 96.
A CNA calcula, baseando-se em dados da Fundação Getúlio Vargas, que a desvalorização da propriedade rural já chega a 50% desde a criação do Plano Real, há três anos. A oferta cresceu e a procura é pequena, forçando a queda dos preços. A terra deixou de ser uma reserva de valor, admite Antônio Donizete Beraldo, chefe do Departamento Técnico e Econômico da CNA. O capital que buscava segurança na terra pode estar migrando para pequenas propriedades urbanas, longe da guerra que se trava no campo.
Em tempos difíceis assim, vender para o governo, a preços reais e até acima do mercado, pode ser um grande negócio. Segundo um assessor do Ministério Extraordinário de Política Fundiária, o Incra está abarrotado de ofertas de proprietários que querem se livrar de suas terras.
Para piorar a situação do latifúndio, o ITR sobre terra nua tem alíquota de 20% ao ano - ou seja, em cinco anos equivale ao preço total da propriedade. É como se o proprietário comprasse a terra de novo, explica o técnico da CNA, Beraldo. Essa alíquota tem um caráter de confisco, diz ele. O setor rural já busca alternativas, como a do projeto de lei do senador Ramez Tebet (PMDB-MS), que autoriza o Incra a aceitar doações equivalentes a 10% do total de qualquer imóvel regularmente cadastrado para fins de reforma agrária, o que isentaria o proprietário do ITR sobre a área remanescente pelos próximos cinco anos.


