Washington, 23 (AE) - A violência na América Latina e no Caribe é duas vezes maior que a média mundial. E pior: entre 60% e 90% dos entrevistados de 14 países disseram que o problema tem aumentado de forma dramática nos últimos anos.
"Isso tem sérias consequências sociais, mas também econômicas", disse nesta sexta-feira (23) Mayra Buvinic, do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Por isso, a instituição financeira internacional patrocinou, junto com a prefeitura do Rio de Janeiro, um encontro de dois dias para estudar programas de prevenção e controle da violência - inclusive a violência doméstica.
Da reunião dos próximos dias 29 e 30, no Rio de Janeiro, deverão participar 20 prefeitos das principais cidades da América Latina e do Caribe e 10 do Brasil, além de especialistas em violência dos Estados Unidos, da áfrica do Sul e do BID.
O banco - explicou Buvinic, chefe da divisão de desenvolvimento social do BID - está cada vez mais interessado nesse tema.
Estudos divulgados pelo BID demonstram que na América Latina e no Caribe, 23 em cada cem mil pessoas é assassinada - o dobro da média mundial, que é 11. Nos dois extremos da escala da violência está Medellin na Colômbia (com 248 homicídios por cada cem mil habitantes) e Santiago do Chile (com 3). O Rio de Janeiro (com 64) supera São Paulo (com 49).
Mas as cidades brasileiras perdem para as capitais da Guatemala (101) e de El Salvador (95). Esses dois países, lembrou Buvinic, estiveram em guerra. Mas a violência em toda a região tem vários motivos: desigualdades sociais, pobreza, acesso fácil a armas e drogas e abuso de álcool.
Uma pesquisa realizada em seis países, entre eles o Brasil, mostra o impacto econômico da violência. No caso brasileiro, os custos adicionais com problemas de saúde consomem 1,9% do Produto Interno Bruto (PIB) e os gastos públicos e privados com polícia, sistemas de segurança e justiça equivalem a outros 3 6%.
"Outra causa principal é ter sofrido violência em casa", disse Buvinic. Uma pesquisa realizada na Nicarágua e no Chile mostra que mulheres que apanham em casa rendem menos e ganham entre 57% e 39% que suas colegas sem problemas. Para o PIB nacional, isso representa uma queda que varia entre 1,6% e 2%.

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