Violência marca último dia de campanha na Indonésia
Jacarta, 04 (AE-AP) - Um funcionário da Comissão Nacional Eleitoral foi morto e dezenas de pessoas ficaram feridas em violentos incidentes no último dia de campanha para as eleições de segunda-feira, as primeiras realmente democráticas no país desde 1955.
Abdul Gafar, de 40 anos, foi morto ao ser atingido por disparos durante um ataque de supostos membros do separatista Movimento Aceh Livre (MAL) contra veículos oficiais, que transportavam as listas eleitorais na região de Aceh, norte da Ilha de Sumatra.
O governo de Aceh, de 170 mil habitantes, impôs hoje toque de recolher na província, que está em estado de alerta desde que os guerrilheiros do MAL intensificaram seus ataques contra as forças de segurança indonésias, no mês passado.
O ministro da Defesa e chefe das Forças Armadas, general Wiranto, advertiu que as eleições poderão ser adiadas em várias regiões de Aceh, onde a onda de violência já deixou pelo menos 60 mortos desde maio.
Em Jacarta, a polícia disparou tiros de advertência para dispersar uma multidão de membros da oposição que atiravam pedras contra uma caravana de partidários do governista Golkar, do atual presidente B. J. Habibie, e tentavam incendiar seus carros. O Golkar, que garantiu dois terços dos votos durante os 32 anos de ditadura do deposto presidente Suharto, deverá ter uma grande perda na segunda-feira.
Nenhum dos 48 partidos que disputam as 462 cadeiras da Assembléia Nacional (Parlamento) deverá obter a maioria, mas o mais popular partido muçulmano da Indonésia, o Partido Despertar da Nação, de Abdurrahman Wahid, e o popular Partido Democrático da Indonésia, de Megawati Sukarnoputri, deverão obter, juntos, cerca de 60% dos votos.





