O terceiro dia de greve dos caminhoneiros foi marcado por cenas de violência em várias cidades do Paraná. Em Curitiba, um líder do movimento foi detido acusado de agressão (ver texto ao lado). Em Ponta Grossa, a noite de terça para quarta-feira foi tumultuada e até a tropa de choque da Polícia Militar foi chamada. A confusão começou por volta das 21 horas, quando vários caminhões foram apedrejados próximo ao piquete formado na PR-151. Os caminhoneiros que estavam no local calculam que mais de 15 veículos foram atingidos.
O caminhoneiro Gesual Silva Rosa vinha de São Paulo quando seu caminhão foi atingido. As lanternas traseiras foram quebradas. ‘‘Uma pessoa se pendurou no vidro. Ele carregava uma pedra e me obrigou a fazer o retorno e parar no posto’’, contou. Outro veículo atingido foi o de Otavir Guesser, que viajava com a mulher e o filho de 11 anos. Os vidros do veículo foram atingidos e o motorista precisou passar a noite no posto. O caminhoneiro João Maria Guerreiro foi preso com várias pedras na mão.
Depois desses ataques, um grupo de pessoas colocou fogo em pneus, na beira da pista, por volta da meia-noite e meia. Os policiais que já faziam plantão no local pediram ajuda e outras oito viaturas da tropa de choque, que bloquearam a pista. Os policiais estavam armados com escopetas calibre 12, com balas de borracha e traziam cães treinados. Logo houve um acordo e os policias iniciaram a retirada, sob aplausos dos manifestantes.
No entanto, uma discussão entre um policial militar e caminhoneiros teria acabado em agressão, segundo os manifestantes. Três caminhoneiros mostravam marcas pelo corpo. O capitão João Jorge, da 5ª Companhia da Polícia Rodoviária Estadual, disse que orientou esses caminhoneiros a fazerem exame de corpo delito e registrar queixa para melhor apuração do caso. ‘‘Temos que ter cautela nesses casos, para não sermos injustos e nem deixarmos ninguém impune’’, considera.
O presidente da Associação dos Caminhoneiros dos Campos Gerais, Neuri Leobet, disse que o tumulto só aconteceu por causa da presença da polícia. Leobet diz que os apedrejamentos não foram feitos por caminhoneiros. ‘‘Caminhoneiro não faz isso com seu colega’’, argumentou.
No trecho de Foz a Céu Azul (a 85 quilômetros de Foz) pelo menos quatro veículos (dois caminhões e dois carros) tiveram os pará-brisas quebrados por pedras jogadas supostamente por manifestantes. Dois incidentes ocorreram em Céu Azul, enquanto outros dois em Matelândia (70 quilômetros de Foz). Segundo a Polícia Rodoviária Federal não houve feridos.
No final da tarde de ontem o caminhão de uma empresa de flores de Ibiporã (14 Km à leste de Londrina) teve o vidro quebrado por um pedra arremessada por manifestantes. O caminhão trafegava na BR-369, sentido Ibiporã-Londrina, quando passou por um piquete que se formava na rodovia, próximo ao Posto boiadeiro. A pedra segundo a proprietária, Mírian Nakagawa, além de danos ao veículo, provocou ferimentos leves nas duas pessoas que estavam no caminhão.
Em Bela Vista do Paraíso (40 Km ao norte de Londrina) as polícias Militar e Rodoviária dispersaram cerca de 200 caminhões que haviam aderido ao movimento, e estavam parados no pátio de um posto de combustíveis. A ação da polícia foi condenada pelos caminhoneiros que lideravam o manifesto. (Colaboraram Alexandre Palmar, de Foz do Iguaçu e Célia Guerra, de Londrina)

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