Violência faz com que brasileiro viva menos
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terça-feira, 03 de dezembro de 2002
Lucia Martins<br> Agência Estado 
Rio de Janeiro - A violência está reduzindo a esperança de vida do homem brasileiro e, com isso, impedindo que o Brasil suba no ranking da Organização das Nações Unidas (ONU). A conclusão é de uma pesquisa divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A Tábua de Vida mostra que as mortes por causas externas - assassinatos, acidentes e suicídios, entre outras - distanciam homens e mulheres: em 2001, elas viviam 7,8 anos a mais que eles. E isso ocorre porque, nos jovens entre 20 e 29 anos, a violência faz três vezes mais vítimas homens.
De 1980 a 2001, a expectativa de vida da população subiu de 62,7 anos para 68,9 anos - elevação de 6,9 anos para as mulheres e 5,5 para os homens. Mas o IBGE calcula que, se o total de 1,9 milhão de mortes violentas estimadas para esses 21 anos não tivesse ocorrido, a esperança do homem ao nascer teria crescido 8, em vez de 5,5 anos. A média nacional já seria, em 2001, de 70,3 anos.
Essa alta melhoraria a posição do País no ranking ONU - hoje o Brasil é o 108º dos 187 países. Se alcançasse os 70 anos de expectativa de vida, ficaria mais perto dos com melhor desempenho, como a França (79 anos) e o Japão (81,5 anos). Hoje, o Brasil está abaixo do Chile (75,6 anos), da Argentina (73,8) e do Paraguai (70,7).
''Esse estudo fornece às autoridades uma ordem de grandeza sobre o impacto das mortes externas. As pessoas estão morrendo precocemente e só um plano de ação articulado, e não apenas de retórica, resolveria'', afirmou o organizador do estudo, Juarez de Castro Oliveira, do Departamento de Indicadores Sociais do IBGE.
O que mais preocupa, segundo ele, são os homicídios. Do total de 1,9 milhão de mortes por causas externas, ele estima que 80% delas sejam assassinatos de homens jovens. Na faixa de 15 a 29 anos, mortes violentas eram responsáveis por 65,8% dos homens em 2000. Em 1980, elas representavam 45%. Esses tipos de crime também estão crescendo entre as mulheres dessa faixa etária. Em 2000, causaram 29% dos óbitos do sexo feminino, uma alta de 11 pontos porcentuais desde 1980. ''Por razões culturais, os homens são mais expostos. Mas você começa a ver a violência matando mulheres jovens também'', analisou Oliveira.
Mesmo assim, as mulheres são as únicas que têm chances de se aproximar de padrões dos países desenvolvidos. Em 2001, a expectativa de vida do sexo feminino só estava abaixo dos 70 anos em seis Estados brasileiros. No Rio Grande do Sul, elas já chegam a patamares europeus, com 76,1 anos de esperança ao nascer. Quando se olha para o sexo masculino, o quadro é bem diferente. Em nenhum Estado a expectativa de vida atinge os 70 anos.


