Violência explode em Dili e deixa três mortos
Dili, 26 (AE-AP) - Uma manifestação de milhares de milicianos antiindependência realizada hoje (26) na capital do Timor Leste, Dili, deixou três morto e lançou ainda mais dúvidas sobre a realização do referendo na próxima semana.
Segundo testemunhas, pelo menos duas pessoas foram assassinadas a tiros pelos milicianos, que também jogaram bombas incendiárias e pedras contra grupos de separatistas. Outra pessoa foi morta a tiros pela polícia indonésia, acusada por testemunha de ter feito pouco para prevenir os ataques dos milicianos. Relatórios não confirmados afirmam que o número de mortos pode ser ainda maior.
Ainda segundo testemunhas, três pessoas ficaram feridas por estilhaços de balas, pedras e garrafas. Foram vistas também explosões de granadas caseiras.
Depois de um dos vários ataque, a polícia foi vista dando um aperto de mão em um dos milicianos. Um líder da milícia prometeu um "mar de fogo" se o referendo sobre a independência ocorrer.
Vários residentes, assustados, permaneceram trancados em suas casas. No cair da noite, quadrilhas de milicianos armados vagavam pelas ruas abandonadas de Dili.
Enquanto isso, em Jacarta, o secretário de Estado da Indonésia, Muladi, anunciou que o líder rebelde do Timor Leste José Alexandre "Xanana" Gusmão será libertado "por volta de 15 de setembro.
Gusmão, que cumpre prisão domiciliar em sua casa em Jacarta, é venerado pelos timorenses anti-Jacarta, além de ser considerado um nome forte para a presidência da província caso a população opte pela independência.
A violência em Dili estourou há apenas quatro dias da data marcada para o referendo, que oferecerá aos 800.000 habitantes do Timor Leste a oportunidade de escolher entre independência ou se tornar uma província autônoma da Indonésia.
A Organização das Nações Unidas já postergou por duas vezes o referendo por causa da violência na ex-colônia portuguesa. Não ficou imediatamente claro se essa última onda de violência, a pior ocorrida em Dili em vários meses, levará a ONU a adiar mais uma vez o plebiscito.
"Não posso adiantar nada sobre isso. Sem comentários", disse Ian Martin, chefe da missão da ONU em Timor Leste. Enquanto isso, a segurança na sede da ONU em Dili foi reforçada para que os funcionários da organização pudessem discutir a crise atual.
Em Lisboa, o Prêmio Nobel da paz José Ramos-Horta, líder timorense exilado, disse que a violência de hoje é uma "provocação, um ato de desespero" por parte do exército indonésio porque "eles percebem que a proposta de independência sairá vitoriosa".





