Curitiba - A principal origem da violência contra crianças e adolescentes está na própria família. A Rede de Proteção à Criança e Adolescente em Situação de Risco, criada há quase dois anos em Curitiba, já enviou 161 casos detectados nas escolas e creches do município aos SOS Criança e Conselhos Tutelares. Desses, a violência familiar liderou as estatísticas com 52 casos, seguido de negligência, com 48 e violência sexual, com 25. É certo ainda que tanto a negligência quanto a violência sexual podem ter origem dentro de casa.
A rede reúne as secretarias municipais da Educação, Saúde, Meio Ambiente e da Criança e vem fazendo cursos com os profissionais que atuam em creches, escolas e outros equipamentos municipais de Curitiba. Ontem, aconteceu o curso para esses agentes municipais da regional do Bairro Novo. Outras cinco regionais já tiveram cursos até maio, para um total de cerca de 1,3 mil profissionais. O calendário de treinamento segue até setembro.
O curso, que tem duração de quatro dias, ensina como reconhecer casos de violência e a partir daí a abordar a criança e a família dela. Também são instruídas formas de prevenção e de atuação junto às famílias das crianças e adolescentes atendidos pela prefeitura.
‘‘Todo profissional que trabalha nessa área tem que observar bem o comportamento das crianças e adolescentes’’, afirma a coordenadora do programa da Rede de Proteção, Nilcéia de Fátima Oliveira, da Secretaria da Criança. O programa começa a trabalhar também com escolas estaduais e organizações não-governamentais e pretende, futuramente, se estender também para as creches e escolas particulares.
Quando existe uma suspeita de violência infantil em uma escola, creche, unidade de saúde, primeiro é feita uma notificação à família, que passa a ser acompanhada até que a criança ou o adolescente esteja comprovadamente protegido.
‘‘O que chega até o SOS Criança ou ao IML, é o mais grave do mais grave’’, explica Nilcéia, que conclui: ‘‘O que nós queremos é evitar que casos leves detectados a tempo evoluam até chegar a casos graves de violência. Por isso precisamos, além de notificar, abordar a criança e a família’’.

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