Dili, Timor Leste, 31 (AE-AP) - Três timorenses, membros da Missão das Nações Unidas em Timor Leste (Unamet), foram assassinados hoje (31) na aldeia de Gleno, que se encontra sitiada por milicianos pró-Indonésia, informou o ex-primeiro-ministro australiano, Tim Fischer, observador do plebiscito realizado ontem (30) nesse território. A informação, entretanto, não foi confirmada pela ONU.
O anúncio dos assassinatos foi feito depois que cifras preliminares indicaram que 98,6% dos eleitores timorenses compareceram à urnas para decidir a favor da independência de Timor Leste ou por um novo status de autonomia especial sob o governo indonésio. Os resultados da consulta popular serão anunciados provavelmente no dia 7.
Após dizer hoje pela manhã que a campanha de intimidação dos grupos pró-Indonésia havia fracassado, David Wimhurst, porta-voz da ONU, reconheceu mais tarde que a situação da segurança na ex-colônia portuguesa havia piorado.
As milícias armadas bloquearam parcialmente o aeroporto de Dili, capital de Timor Leste, para impedir a saída dos timorenses do território, e detiveram um comboio de observadores da ONU no distrito de Ermera. Retido por nove horas, o comboio de 17 veículos no qual viajavam 140 pessoas, pode seguir para Dili.
Sem dar maiores informações sobre o assassinato dos quatro funcionários da ONU em Gleno, o observador australiano disse que as urnas do histórico plebiscito foram retiradas da aldeia. "Há um clima de medo. Várias barricadas foram levantadas para impedir o acesso à aldeia", disse Paul Toon, outro observador da ONU.
O chanceler indonésio, Ali Alatas, declarou hoje que a consulta popular em Timor Leste, invadida pela Indonésia em 1975
foi "limpa". Ele também disse esperar que os resultados sejam aceitos sem que se recorra à violência. O líder da Resistência Timorense no Exílio e Prêmio Nobel da Paz, José Ramos-Horta, previu hoje uma folgada vitória para os partidários da independência do território, apesar de lembrar que provavelmente haverá um grande número de votos nulos por causa de erros na votação, já que cerca de 60% dos eleitores são total ou parcialmente analfabetos.
Os grupos pró-Indonésia qualificaram de "lixo" o histórico plebiscito, advertiram que ele poderá levar a um novo conflito no território e acusaram a ONU de parcialidade. "A maioria dos partidários da integração chegou à conclusão de que a Unamet está realmente encorajando e apoiando as pessoas a separar o Timor Leste da Indonésia", indicou num comunicado um grupo pró-Jacarta.
Mais de 5 mil soldados australianos permaneciam hoje em estado de alerta na cidade de Darwin, cerca de 600 quilômetros de Timor, por causa da eventualidade de uma rebelião na ex-colônia portuguesa. As tropas australianas poderiam chegar em poucas horas a Timor caso fosse necessário retirar os cerca de 2 mil estrangeiros, entre funcionários da ONU, observadores internacionais e jornalistas, que se encontram no território por causa do plebiscito.
Quatro jornalistas da TV australiana Nine Network foram expulsos de Timor depois de ter causado um incidente com membros de uma milícia pró-Indonésia. Eles estavam entrevistando os eleitores nas filas e perguntando que opção iam escolher quando os milicianos apareceram e começaram a agredir os jornalistas e os votantes.

mockup