Londrina - O perigo é parte da rotina de quem não tem onde morar. De acordo com sem-teto ouvidos pela reportagem da Folha de Londrina, as ameaças podem se concretizar a qualquer momento. E normalmente são completamente gratuitas.
É o que se percebe a partir do relato do morador de rua Láercio Aparecido de Carvalho, que vive em Londrina. ''No final do ano passado estava dormindo próximo à Vila Nova e acordei com um amigo gritando e o barulho de um carro saindo. Uns caras tinha parado perto da gente, jogado álcool no meu colega e tacado fogo'', relata o homem de 26 anos.
Ele está já pouco mais de um ano na rua. ''Minha esposa estava grávida, nos desentendemos, segui algumas más-companhias. Comecei fumando um baseado e caí no crack'', conta.
Quando conversou com a reportagem, Carvalho havia acabado dar entrada em um abrigo na cidade. ''Vão me avaliar e ver se conseguem uma vaga para mim numa clínica. Não quero mais ficar na rua, passando fome e frio. As pessoas não te enxergam como ser humano.''
Uma das principais reclamações dele é relacionada à violência. ''Na rua se apanha direto, de polícia e hoje de guarda municipal também. Depois dessa fuga que teve (24 presos escaparam recentemente do 2º Distrito Policial), quem estava na rua deve ter apanhado para caramba'', afirma.
A esposa e filha de Laércio ainda vivem em Londrina, mas ele não tem contato com a família. ''Minha mãe está em Goiânia e disse que me recebe assim que passar por um tratamento por causa das drogas'', declara o homem, que já foi convidado a participar do Movimento da População de Rua. ''Mas na situação que estou não dá. Preciso me livrar do vício antes'', justifica.(D.B.)

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