Curitiba- Embora o livro Saúde Brasil 2006 - Uma Análise da Situação de Saúde, da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS) do Ministério da Saúde, seja lançado só em dezembro, os números da mortalidade entre jovens, especificamente de 10 a 19 anos, já foram revelados e são desalentadores. Nessa faixa etária ocorreram 25.021 óbitos, dos quais 69,6% estão relacionados com a violência e acidentes. O Paraná aparece em 10º no ranking de mortalidade, com 73,6 mortes por 100 mil habitantes, numa lista encabeçada pelo Rio de Janeiro (96,6), Pernambuco (95,5) e Espírito Santo (89,4).
Os dados foram apresentados no 3º Seminário Violência e Juventude, que encerra, hoje, na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP). O Paraná se destaca apenas no tocante à mortalidade segundo raça/cor que compara a mortalidade de brancos e negros. Ao contrário dos outros estados, aqui as taxas de mortalidade da população branca (77,4 óbitos/ 100 mil hab) foram superiores às observadas na população negra (54,3 óbitos/100 mil hab). Situação semelhante só foi registrada em Santa Catarina, mas com uma diferença de um pouco mais de cinco óbitos entre as duas raças.
''Ainda estamos caminhando com os estudos mais aprofundados, mas supomos que reflita o fato da população negra ser menor no Paraná. Não podemos afirmar nada ainda'', justifica Márcia Westphal, professora da Faculdade de Saúde Pública da USP e coordenadora do seminário. A publicação, lançada a cada dois anos pelo Ministério da Saúde, utilizou os números captados pelo Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) referentes ao ano de 2004 e também serve como base para o Governo monitorar e pensar as políticas públicas para o combate a violência.
''A pesquisa mostrou que não tivemos grande sucesso com o controle da violência porque ela é preocupante e continua crescendo entre os jovens e, principalmente, nas pessoas do sexo masculino. Precisamos chamar a atenção para a gravidade do problema e universalizar as políticas públicas'', disse Westphal, acrescentando que a faixa etária de 10 a 24 anos é a mais vulnerável a violência por homicídio no País e lamentando também o fato das violências doméstica e sexual ainda não serem notificadas como um todo.
Do total de mortes computadas, 34,2% foram por homicídios, a maior causa registrada de óbitos de pessoas de 10 a 19 anos. Os rapazes correspondem a 91,8% dos homicídios, que foram executados em 79,4% dos casos por armas de fogo. A taxa de mortalidade por homicídio no Paraná é de 25,7 óbitos a cada 100 mil habitantes nessa faixa etária. ''O homicídio é preocupante e visível e percebemos na população da periferia a naturalização do fenômeno. Se não fizermos nada, a tendência é que a criminalidade aumente na sociedade'', informa a docente.

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