Violência dentro de casa
"Bom dia, filha. Queria saber por que estou recebendo menos de um salário-mínimo de aposentadoria?" A pergunta de uma idosa de 75 anos surpreende a assistente social da Secretaria do Idoso. Surpresa, ela responde que não há pagamento abaixo do mínimo previsto por lei. Ao consultar o cadastro social da idosa, descobriu que havia um empréstimo consignado no nome dela. Confusa, a senhora deixa o atendimento e só depois descobre que foi vítima de um "golpe" de quem menos esperava: filhos e netos.
De acordo com a secretária municipal do Idoso, de Londrina, Maria Inez Barroso, a violência intrafamiliar (quando acontece dentro da própria casa) corresponde a maioria dos registros do gênero na cidade. "São casos de idosos que são obrigados a darem parte do pouco que ganham para netos comprarem drogas, por exemplo. Se não concordam, a violência psicológica passa para física", expõe. "Em muitas casos, o idoso perde a capacidade de se cuidar. No momento em que precisa de ajuda, é enganado. Roubam o cartão, passam para trás", denuncia.
Para a procuradora Rosana Beraldi Bevervanço, além dos crimes já previstos em lei, outras situações também deveriam ser melhores avaliadas. "O empréstimo consignado para aposentados pode não ser crime, mas é uma ilusão. Os idosos são pressionados por familiares a contrair dívidas, mesmo sem precisão alguma. Fragilizados, não lhes resta outra alternativa a não ser ceder a pressão", critica. Denúncias contra agressão ou golpes que têm idosos como vítimas podem ser feitas pelo Disque 100, da ouvidoria dos Direitos Humanos, ou pelo 190, da Polícia Militar. (C.F.)





