Violência contra meninas é maior no PR
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sábado, 15 de novembro de 2003
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O programa Sentinela, criado pelo governo federal para prestar atendimento a crianças e adolescentes vítimas de agressão sexual, física ou psicológica, atendeu nesse ano cerca de 19,2 mil crianças brasileiras. Desse total, 12% foram paranaenses. De janeiro a novembro, foram acompanhados 2.312 crianças e adolescentes no Paraná. Sessenta e nove por cento dos casos atendidos envolvem violência contra meninas.
Os dados fazem parte de um relatório preliminar divulgado ontem pela Secretaria de Estado do Trabalho, Emprego e Promoção Social. Atualmente, 29 dos 399 municípios paranaenses possuem o programa que consiste no cadastramento das crianças e adolescentes atendidos, abordagem educativa, atendimento multiprofissional especializado, atendimento psicossocial e jurídico, abrigamento por 24 horas e trabalho com os familiares.
Os principais agressores, segundo a pesquisa, são: o próprio pai (26%), a mãe (20%), padrasto (12%), madrasta (0,35%), irmãos (2,7%), tios (2%), avós (1,9%), outros integrantes da família (7%) e pessoas que não fazem parte da família (28%). A maior parte das crianças atendidas é carente. ''Infelizmente o problema social brasileiro ainda se reflete nesses números'', afirmou ontem a assistente social da gerência de projetos sociais do Ministério da Assistência Social, Telmara Galvão.
As violências mais comuns contra meninas registradas pelo Sentinela foram: física (8%), psicológica (14%), abuso sexual (46%), exploração comercial e sexual (19,5%), negligência e maus tratos (12,5%). Contra meninos, os casos mais registrados foram violência física (15%), psicológica (25%), abuso sexual (31%), exploração comercial e sexual (7%), negligência e maus tratos (23%).
A exploração sexual em Paranaguá, no Litoral do Estado, também foi destacada. A coordenadora do programa Sentinela, Irma Zaninelli, confirma a preocupação principalmente na beira de rodovias. Em alguns casos, segundo ela, meninas são trazidas de outros estados por caminhoneiros e abandonadas em Paranaguá. ''Temos muito trabalho'', afirmou ela. Apesar da exploração ser crescente no município, poucos são os atendimentos nesse sentido. ''A maior parte dos atendimentos é com relação a negligência, ameaças e maus tratos. Temos ainda muitos casos de violência psicológica e abuso sexual. Mas são poucas as denúncias que chegam e que podemos verificar in loco de exploração sexual'', declarou ela.
Dos atendimentos a crianças e adolescentes no Paraná, 21,5% foram feitos em Curitiba, 10% em Londrina, 8,5% em Foz do Iguaçu e 13% em Paranaguá. ''A problemática da exploração sexual e da violência infantil é semelhante em todo o Paraná. Só conseguiremos diminuir com investimentos e combate efetivo. E isso envolve toda a sociedade'', apostou Telmara.
As principais preocupações nacionais são com relação a exploração sexual de meninas entre 15 e 18 anos, abuso sexual contra meninos de 7 a 14 anos e abuso interfamiliar de meninas entre 7 e 14 anos.


