Londrina - Em 2011 houve aumento em cerca de 70% dos casos de lesão corporal relacionados à violência doméstica em Londrina em relação ao ano anterior. Os dados foram divulgados ontem pelo 5º Batalhão de Polícia Militar e são referentes aos Boletins de Ocorrência registrados durante os atendimentos da PM.
Conforme o levantamento, enquanto em 2010 foram registrados 113 casos, os números de 2011 apontam para 191 casos, o que representa quase 16 casos por mês. Abril foi o mês que registrou maior número de ocorrências em 2011, com 27 casos, e julho registrou a menor quantidade com três casos. Do dia 1º ao dia 10 deste mês, a PM registrou sete casos de lesão corporal relacionados à violência doméstica em Londrina.
Segundo o tenente Marcelo Barros do Nascimento, o aumento de registros era esperado. ''Acreditamos que isto tenha acontecido em função da maior divulgação da Lei Maria da Penha, que está diretamente relacionada à conscientização das mulheres que denunciam os casos com mais frequência'', disse.
Na Delegacia da Mulher, os números também apontam aumento da violência doméstica no ano passado. Em 2010 foram instaurados 589 inquéritos e em 2011 este número chegou a 776, o que dá uma média de 64 inquéritos por mês, mais de dois por dia. Conforme a delegacia, antes da implantação da Vara Maria da Penha na cidade eram registrados cerca de 30 inquéritos por ano.
Os Boletins de Ocorrência também tiveram aumento no ano passado na Delegacia da Mulher. Em 2010 foram registrados 3.656 boletins, enquanto em 2011 foram 3.740, mas estes números abrangem diversos tipos de violência contra a mulher, não apenas a doméstica. Apesar do aumento em alguns setores, houve redução nas prisões em flagrante, enquanto em 2010 foram feitas 150, no ano passado foram 124.
Apesar dos números da PM e da Delegacia da Mulher apontarem aumento de registros, na Secretaria Municipal da Mulher os dados apresentam um resultado diferente. Em 2010 o Centro de Atendimento à Mulher (CAM) recebeu 435 mulheres e em 2011 foram 369. ''O que acontece é que muitos atendimentos registrados pela Polícia Militar acontecem nos plantões e nem sempre os casos são encaminhados aos centros de referência'', disse a secretária interina da Mulher, Elaine Ferreira Galvão.
De acordo com a secretária, com a implantação da Vara Maria da Penha nem todos os casos atendidos pela polícia são encaminhados ao CAM. ''Algumas situações são levadas diretamente ao Fórum, isso talvez justifique a redução no nosso número de atendimento'', afirmou.
O CAM oferece atendimento social, psicológico e auxilia a mulher a tomar decisões em relação à situação de violência. ''A equipe também entra em contato com a rede de proteção e oferece a Casa Abrigo nos casos mais extremos em que a mulher está sendo ameaçada de morte'', disse. Ela acrescentou que quando a vítima não precisa do atendimento social porque já está decidida sobre o que fazer, ela é encaminhada direto para a Vara Maria da Penha para que sejam tomadas as providências necessárias.
Segundo a diretora de Enfrentamento à Violência da Secretaria Municipal da Mulher, Lucimar Rodrigues da Silva, em 2011 a violência registrada com mais frequência no CAM foi a psicológica, com 53,7% dos casos, seguida pela violência física, com 40,3% dos casos. ''A violência psicológica sempre fica em primeiro lugar e depois de um tempo inicia-se a violência física, por isso os números são tão próximos. Uma está diretamente relacionada à outra.''

Serviço: O telefone nacional para denúncias de violência contra a mulher é o 180. O Centro de Atendimento à Mulher funciona de segunda à sexta e atende das 8 horas às 18 horas. O telefone para contato é 3341-0024.

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