Pec, 23 (AE-ANSA) - A tensão em Pec, no oeste de Kosovo, não diminui e repetidos episódios de violência complicam a atividade do contingente italiano da Kfor em um dos setores mais difíceis da região.
Depois de uma noite na qual se escutavam rajadas de metralhadores enquanto passava uma coluna militar italiana, a explosão de uma granada deixou hoje um homem gravemente ferido. Depois se sucederam novos tiroteios, detenções, descoberta de armas e explosivos e tentativas de estupro.
A crescente violência incentiva o êxodo de sérvios depois que, nos últimos dias, muitos deles retornaram de Motenegro a Kosovo. A situação levou o ministro italiano de Defesa, Carlo Scognamiglio, a dizer que "do ponto de vista dos perigos aos quais nossas forças armadas estão expostas, é possível dizer que a questão está longe de ser resolvida".
Na noite de ontem, durante a passagem de uma coluna de "bersaglieri" pela estrada entre Pec e Prizren, foram ouvidas rajadas de armas automáticas. "Não estamos certos de estarem dirigidas contra nós", disse em Roma o chefe do Estado Maior da Defesa, Mario Arpino. "Estes episódios são frequentes porque se chega cada vez mais perto do objetivo da desmilitarização de Kosovo."
O chefe da Igreja Ortodoxa montenegrina, Amphilochije, comentou desconsolado: "Todo terminou. Havia um acordo para levar os sérvios de volta a Kosovo sob proteção e segurança. Aqui não há proteção: matam e roubam. Tudo terminou."
Hoje, a menos de 40 metros da sede do comando italiano, em pleno centro de Pec, um homem foi atingido por uma granada lançada do quarto andar de um edifício. O homem, um albanês, estava entre os que "assistiam" à partida de dezenas de sérvios que abandonavam a cidade a bordo de numerosos automóveis.
Nos acostamentos da estrada, muitos kosovares de etnia albanesa e alguns membros do Exército de Libertação de Kosovo (ELK) começaram a dar chutes nos automóveis, xingar e cuspir.
Na operação de segurança iniciada por militares italianos foram presos quatro albaneses surpreendidos no interior de uma casa enquanto violentavam uma mulher sérvia de 45 anos.
Mais tarde, em um posto na entrada da cidade controlada pelos italianos, foi detido um guerrilheiro do ELK que levava explosivos em um trator. Os homens do ELK continuam muitas vezes utilizando uniformes e carregando armas.
Se o centro da cidade é seguro devido à massiva presença de militares italianos, distinta é a situação na periferia e nas aldeias próximas, onde funcionam postos de bloqueio ou controle do ELK. Os disparos são frequentes durante a noite e há cada vez mais informações de execuções e outras vinganças entre pessoas pertencentes às duas etnias.

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