Mãe de uma adolescente de 18 anos e de um menino de 12, Márcia (nome fictício) vive até hoje as consequências da violência familiar que os vitimou por quase duas décadas. Casada com um homem agressivo, ela e as crianças apanharam do pai e marido enquanto durou o casamento. Por conta dos espancamentos, a garota tornou-se também uma pessoa violenta e, hoje, assusta a própria mãe, que chegou a ser agredida pela filha.
''Ela era agitada, o pai não tinha paciência e batia. Ela aprendeu a se comportar do mesmo jeito'', lamenta Márcia, que ainda hoje se sente incapaz de cuidar dos filhos. ''Me sinto deprimida'', revela, contando que faz tratamento com psicóloga para tentar superar o trauma.
A filha, infelizmente, recusa qualquer acompanhamento psicológico e segue cada vez mais intolerante com a família. ''Agora ela começou a namorar um homem mais velho e não ouve os meus conselhos. Tenho medo que ele venha a ter filhos e seja violenta com eles'', teme.
Quando ainda estava com o ex-marido, Márcia procurou a Delegacia da Mulher para denunciar os maus tratos e chegou a fazer exames no Instituto Médico Legal (IML) para comprovar as agressões. A experiência traumatizante convenceu-a de que o atendimento pouco humanizado é inadequado. ''Não faria de novo, porque foi muito humilhante. Não é um lugar adequado nem para um adulto, quanto mais para crianças'', avalia. (C.A.)

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