Curitiba - A democratização dos transplantes de córneas, com a inclusão na lista de procedimentos pagos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), aumentou a fila de espera de pacientes. Atualmente, 20 mil pessoas esperam pelo transplante no Brasil. Os bancos de olhos, por sua vez, buscam formas de estimular as doações e reduzir o tempo de espera. Esta será a tônica do fórum que reúne representantes de 21 bancos de olhos de 12 estados brasileiros, como parte da programação do XV Congresso Brasileiro de Prevenção da Cegueira e Reabilitação Visual que termina hoje, em Pinhais, município da Região Metropolitana de Curitiba.
O presidente da Associação Pan-Americana de Bancos de Olhos (APABO), que promove o fórum, Elcio Sato, acredita que ''através da reestruturação física e gerencial de 30 bancos de olhos de todo o País, essa realidade vai mudar, extinguindo as filas em um prazo de dois anos''. Ao todo, estão sendo destinados R$ 1,5 milhão pelo Ministério da Saúde para reequipar os serviços. Outra preocupação, segundo ele, é ter pessoas especializadas na captação ativa, ou seja, que possam ir aos hospitais para conversar com os familiares de possíveis doadores.
Segundo ele, as longas filas de espera no Brasil ocorrem exclusivamente por falta de córneas para os transplantes. ''O País possui médicos em quantidade suficiente e hospitais equipados de forma adequada. O que falta é transformar os doadores em potencial em doadores de fato'', conclui. No Brasil, cerca de 3 mil transplantes de córnea são realizados anualmente. Nos Estados Unidos, o número é de 35 mil por ano.
Durante o simpósio, o oftalmologista Hamilton Moreira vai falar sobre a situação do Banco de Olhos da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Há pouco mais de um mês, o banco recebeu R$ 65 mil do Ministério da Saúde para a compra de novos equipamentos. Segundo Moreira, com as diversas portarias editadas desde o ano passado pelo Ministério da Saúde, regulamentando a captação e doação de córneas, houve uma redução inicial dos transplantes e agora já mostra uma tendência de recuperação. Em Curitiba, há cinco anos o tempo de espera era de dois ou três meses. Hoje é de oito a 12 meses, porque tem um número maior de pessoas tendo acesso ao serviço.

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