Vinte e duas prefeituras decretaram situação de emergência em novembro
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segunda-feira, 14 de dezembro de 2015
Celso Felizardo<br> Reportagem Local 
O novembro mais chuvoso dos últimos 18 anos no Paraná afetou quase 65 mil moradores, cinco vezes mais que o registrado no mesmo período do ano passado (12,7 mil pessoas). Tempestades, vendavais, granizos, enxurradas e alagamentos levaram 22 prefeituras paranaenses a decretar situação de emergência. De acordo com dados da Defesa Civil Estadual, foram registradas 76 ocorrências relacionadas às chuvas em 67 municípios.
Segundo o capitão da Defesa Civil Estadual, Romeu Tadashi Yagui, este novembro foi um mês atípico. Segundo ele, a grande quantidade de chuvas mobilizou as equipes da Defesa Civil em praticamente todas as regiões do Estado. "As equipes tiveram bastante trabalho, tanto no auxílio à população afetada como nos cálculos de prejuízos", detalha. Ainda não há dados de todos os municípios, mas em grande parte deles, os estragos ficaram na casa dos milhões.
Só em Bandeirantes, no Norte Pioneiro, os prejuízos são estimados em R$ 6,5 milhões. Uma forte chuva acompanhada de ventos que ultrapassaram os 100 km/h causou grandes estragos na noite de 8 de novembro. "Era um domingo, lá pelas 20h30. O tempo fechou, veio chuva de todos os lados. Quando elas se encontraram fez um cone, como se fosse um tornado mesmo", lembra o comerciante Rafael da Silva Musambini, de 21 anos. Um mês depois da chuva, muita gente ainda trabalha nos telhados de casas e comércios para consertar as telhas quebradas (Leia mais nesta página).
Cinco dias depois do vendaval em Bandeirantes foi a vez de Colorado, no Norte Central, sofrer os efeitos da natureza. Um tempestade, acompanhada de ventos fortes e granizo, deixou 200 árvores caídas e várias casas destelhadas. De acordo com a Defesa Civil, três pessoas ficaram feridas. No dia 17, as chuvas caíram forte sobre Querência do Norte e Santa Cruz do Monte Castelo, no Noroeste. Cerca de 10 mil moradores foram afetados nas duas cidades. Os estragos maiores, no entanto, ocorreram na zona rural. O escoamento da safra e o transporte escolar ficaram comprometidos.
Marechal Cândido Rondon, no Oeste, decretou estado de calamidade pública após um tornado com ventos acima de 115 km/h devastar grande parte da cidade e três distritos no dia 19. Segundo a Defesa Civil, 30 pessoas ficaram feridas, e cerca de 500 ficaram desalojadas. Os prejuízos foram contabilizados em R$ 62,4 milhões.
O município conseguiu o reconhecimento do estado de calamidade pública por parte do governo federal na última terça-feira. "Depois de o Governo do Estado homologar os decretos dos municípios e dar o apoio inicial, o reconhecimento por parte do governo federal abre inúmeras portas para as prefeituras fazerem frente ao desastre", explica o coordenador estadual de Proteção e Defesa Civil, tenente-coronel PM Edemilson de Barros. "Além do saque do FGTS e da destinação de recursos federais, os municípios podem fazer investimentos para recuperar os locais afetados sem a necessidade de abrir licitação", completa Barros.
Em Terra Rica, Noroeste, a chuva do dia 25 causou o rompimento da represa de uma antiga usina hidrelétrica. A lama carregada pela enxurrada matou mais de uma tonelada de peixes e chegou a mudar o curso do Rio Coroa do Frade. Várias pontes foram arrastadas pela força das águas. Segundo a prefeitura, o prejuízo com a usina e as estradas rurais foram estimados em R$ 4,1 milhões, sem contar os danos ambientais.
Os serviços mais básicos já estão em andamento, mas a hidrelétrica, construída nos anos 1960 e atualmente usada para alimentar a captação de água, segue sem previsão de ser reativada. A prefeitura explica que, sem a energia gerada pela hidrelétrica, o custo da produção de água pela Autarquia Municipal deve subir. A diferença ainda não foi repassada para a população.
Os trâmites burocrático são apontados pelos gestores como o maior entrave para a liberação de recursos estaduais e federais. O responsável pela Coordenadoria Municipal de Defesa Civil (Comdec) de Jataizinho, Dorival Pereira Duarte, critica a burocracia do processo de liberação de verbas para os municípios afetados. "Passamos dias fotografando os estragos, comprovando prejuízos. Quando fechamos o valor, não recebemos nem 10% do apresentado", critica.


