São Paulo, 17 (AE) - Desde que o novo código de trânsito entrou em vigor, em 1998, os adesivos com propaganda têm que ter o mínimo de 50% de transparência, fator que não atrapalha a visibilidade para o condutor e os passageiros de dentro para fora dos veículos. Sejam eles particulares, táxis, ônibus ou metrôs. A nova lei abriu um nicho de mercado que já se agiganta no Brasil. É o de peças publicitárias produzidas sobre vinil (policloreto de vinila ou PVC) adesivo microperfurado, no Brasil produzido pela 3M e importado pela Day Brasil.
A empresa se interessou pela importação ainda em 1995. Mas as vendas deslancharam a partir de 1998, afirma o gerente da linha de filmes técnicos da Day Brasil, Maurice Levi. A expectativa de comercialização para este ano é de 120 mil metros quadrados, ao preço de US$ 25 a US$ 30 o metro. Embora considerado caro, o preço do material caiu porque as importações antes feitas desde São Paulo agora são pedidas da Zona Franca de Manaus. O material é importado dos Estados Unidos e a patente é americana.
"O custo do produto importado por São Paulo era 60% maior devido aos impostos e taxas. Por isso, há um ano passamos a importar pela Zona Franca, e conseguimos reduzir os custos em 50%", explica Maurice Levi. A Day Brasil aproveitou a condição de outra empresa, sua coligada, instalada na Zona Franca, para realizar conversões locais em troca de benefícios fiscais.
Na prática, a Day Brasil compra rolos de 10 mil metros quadrados, nos Estados Unidos, e rebobina em proporções menores, de 40 metros, para comercializar no Brasil. Esse serviço, antes feito no local de origem, agora realizado no Brasil, gera empregos, afirma Levi.
Por causa dos royalties, também, diz ele, é inviável produzir esse tipo de vinil adesivo microperfurado, e por isso transparente, no Brasil. Para produzir com rentabilidade o fabricante local teria de vender o produto por cinco vezes mais do que o custo do vinil liso, comum.
Nova mídia - No ano passado, a produção de peças publicitárias com o filme transparente foi responsável por cerca de 30% do faturamento da Hot Signes Comunicação, divisão de produção da Mega Signes Publicidade, de São Paulo. O diretor financeiro da agência, Roberto Guimarães, calcula que a Mega, sozinha, já produziu 15 mil painéis usando o vinil especial, nos últimos dois anos.
Hoje, a Hot Signes tem 10 mil peças circulando pelo Brasil: Curitiba, Recife, Salvador, Rio de Janeiro, Brasília, Fortaleza, Belo Horizonte, Santos, Campinas e Ribeirão Preto. A procura em escala começou em agosto do ano passado, e em novembro e dezembro o movimento foi de 2 mil a 2,5 mil peças por mês.
Para uma campanha da Telefônica, por exemplo, a DM9DDB criou a peça publicitária e a Hot Signes a reproduziu em 300 painéis de 122 por 60 centímetros, pela técnica de serigrafia. "A impressão digital é muito cara", justifica. A dimensão é padronizada, levando em consideração que o enquadramento da peça se encaixe nos vidros traseiros de qualquer automóvel usado como táxi.
A colocação do auto-adesivo sobre o lado externo do vidro demanda no máximo dois minutos. De acordo com o publicitário, o filme é resistente ao sol, ao frio, chuva, umidade e ressecamento, por isso pode ficar exposto sem prejuízo à arte do anúncio. Quanto custa?
O custo de uma campanha utilizando o adesivo exposto durante dois meses em 400 carros é estimado em R$ 195 mil: R$ 35 mil investidos na produção e R$ 200,00 por locação do vidro traseiro do automóvel, num total de R$ 160 mil. A locação de um espaço para expor um outdoor custa em torno de R$ 900, pelo período de 15 dias.
O custo da campanha sobe ou desce de acordo com a tiragem de cópias das peças. Quanto maior o volume, menor o custo total relativo. Segundo Roberto Guimarães, o custo desse tipo de campanha é menor do que as veiculadas em outdoors. Quanto à relação de benefício ou retorno para o anunciante, ele prefere não avaliar, apenas ressaltando que são mídias diferentes. Mas observa que cidades mais preocupadas com a poluição visual são as que melhor aceitam a proposta. Curitiba, a capital ecológica, aderiu aos painéis vinílicos no ônibus. Em São Paulo, algumas companhias de ônibus urbanos já estão trocando a cobertura total do vidro traseiro, que obstruía totalmente a visão de dentro para fora do coletivo - e vice-versa. Já os táxis e o metrô paulistanos utilizam o filme transparente.

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