Vinda de estrangeiros ficou mais cara
São Paulo, 18 (AE) - Só a escassez de competência técnica pode favorecer um nome de fora em detrimento da escolha de um executivo local. Caso típico recente é o da indústria de telecomunicações. "Nesse setor, as multinacionais iniciaram a operação no Brasil com número bastante expressivo de expatriados", diz Alfredo Assumpção, sócio da Fesa. Segundo ele
esse número será reduzido em dois anos, prazo em que o País terá pessoas capacitadas para atuar nesse nível de gestão.
O mercado globalizado mudou a estrutura das empresas e consequentemente do perfil do homem de primeira linha. "As subsidiárias são cada vez mais unidades de negócio de um mercado mundial", diz o headhunter Marcelo Mariaca. "O presidente tornou-se um diretor para o Mercosul ou um gerente-geral de uma fábrica brasileira."
A presença de brasileiros à frente de multinacionais, de acordo com Mariaca, foi impulsionada pela desvalorização do real. Ficou mais caro manter um executivo desse calibre fora de sua base de origem. Soma-se a isso o custo do tempo de adaptação à cultura e de domínio do idioma. O consultor Gerson Correia, da DBM do Brasil, diz que antes era mais barato trazer alguém da América Latina ou da Europa do que contratar aqui, "mas hoje isso não é mais verdadeiro". Além de algumas experiências que não deram certo por causa da cultura transplantada à força, diz Gerson, "muita gente quebrou a cara pensando que o Brasil e El Salvador eram iguais ou diferentes apenas no tamanho". Mariaca partilha da idéia: "O mercado brasileiro é amplo, complexo, difícil e antes de um ano um estrangeiro não o entende bem."
Há mais um detalhe econômico que poderá pesar na escolha. O diretor corporativo de Recursos Humanos do Citibank, Delsio Klein, acredita que a volta da estabilidade vai acirrar a competição e despertar o interesse de estrangeiros por disputar essas posições. "Com a inflação controlada, um norte-americano ou europeu conhece o business rapidamente."
O Citibank fez o primeiro presidente brasileiro há uma década e está na terceira geração de gestão com executivos locais no comando. Instituições recém-chegadas ao País, como o InterAmerican Express Bank, o Nations Bank e o Morgan Stanley (IB), não titubearam e colocaram em campo logo no primeiro tempo de jogo presidentes cuja primeira língua é o português.





