México, 09 (AE-IPS) - O pedestal no qual as principais redes de televisão do México colocaram o assassinado apresentador Francisco Stanley balançou hoje (09) ao se tornar público que ele consumia cocaína e estava sendo investigado por vínculos com narcotraficantes.
Exames do corpo de Stanley, assassinado a tiros na segunda-feira, mostrou que quando morreu ele portava meio grama de cocaína, que havia inalado esta droga horas antes e que seu nariz tinha sinais fisiológicos de um consumidor contumaz.
As evidências, entregues na noite de terça-feira pela procuradoria da capital, se somaram a informes publicados hoje por vários diários dando conta que Stanley era amigo de narcotraficantes e costumava distribuir a droga entre pessoas do mundo dos espetáculos.
Também, ficou-se sabendo que Stanley, conhecido como "Paco", possuia uma credencial que o apresentava como funcionário do Ministério do Interior e que permitia que ele portasse armas.
Segundo os investigadores, Stanley foi morto com quatro tiros a queima-roupa na cabeça. Foi uma execução semelhante às praticadas por narcotraficantes, disse o procurador da capital, Samuel del Villar.
A TV Azteca, onde Stanley dirigia um programa e apoiava uma campanha contra o consumo de drogas, e a Televisa, onde o ator trabalhou até 1997, abafaram as novas provas com um rio de imagens, entrevistas e retrospectivas positivas sobre seu ex-colaborador.
Em vista do assassinato de Stanley, as duas emissoras, normalmente envolvidas numa dura competição pela audiência, deixaram de lado suas inimizades e em coro jogaram a culpa pelo incidente no governo da capital, dirigido desde 1997 pelo líder oposicionista Cuauhtémoc Cárdenas.
Em transmissões ininterruptas de várias horas, as empresas exigiram inclusive a renúncia de alguns funcionários.
Editoriais dos jornais La Jornada, Reforma e El Universal e vários analistas condenaram o assassinato de Stanley, mas também a atitude de linchamento assumida pelas televisões contra Cárdenas e seus colaboradores.
O líder do oposicionista Partido da Revolução Democrática, pré- candidato para as eleições presidenciais de 2000, rechaçou as acusações das emissoras e pediu a elas para "não politizarem" o crime.
Stanley, a quem a TV Azteca havia colocado na frente de uma ampla e milionária campanha contra o consumo de drogas no México, era "sócio e amigo" do ex-chefe do cartel de Ciudad Juaréz, Amado Carrillo, morto em 1997 em circunstâncias duvidosas, segundo fontes da agência antidrogas americana, DEA, citadas pelo jornal Reforma.

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