Rio, 06 (AE) - Um ano e meio depois de enfrentar a resistência da comunidade acadêmica contra sua nomeação, o reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), José Henrique Vilhena, comprou uma nova briga política, ao empossar a geógrafa Speranza França da Mata na direção da Faculdade de Educação. Ela foi aprovada pelos alunos, mas sofre restrições entre os docentes.
Representantes do Conselho Universitário (Consuni) já programaram um protesto contra a nomeação da professora, que deverá ocorrer durante a próxima reunião do Consuni, no dia 13. O argumento é que, na eleição para a escolha do diretor da faculdade, que teve Speranza como candidata única, a soma dos votos brancos e nulos teria chegado a 60%. "Fui a única a disputar a eleição, tive 51% dos votos válidos e venci entre os alunos, segmento que, na minha opinião, é o mais importante", alegou ela. Para o coordenador do Sindicato dos Trabalhadores em Educação da UFRJ, Agnaldo Fernandes, a nomeação da professora é "mais uma arbitrariedade de um reitor (Vilhena) que não respeita a vontade da comunidade acadêmica". A nova diretora analisa essa opinião como "argumento de quem quer se perpetuar no poder por um caminho não-democrático". Para o reitor, a escolha da diretora obedeceu "critérios pedagógicos"
e não políticos. "A professora Speranza é geógrafa formada na UFRJ com doutorado em educação na USP e está habilitada a exercer o cargo da melhor forma", disse Vilhena, por meio de sua assessoria de Imprensa. Ocupação - Em julho de 1998, quando foi nomeado pelo Ministério da Educação (MEC) como reitor da UFRJ, Vilhena enfrentou resistência por parte de alunos e funcionários, que ocuparam a sede da instituição por dois meses. O motivo do protesto foi o fato de Vilhena ter sido o terceiro colocado em consulta feita entre a comunidade acadêmica. A posse do reitor só foi possível após a desocupação da reitoria, determinada pela Justiça e promovida por agentes da Polícia Federal (PF).