Senari, Índia, 19 (AE-REUTERS) - Militantes comunistas radicais massacraram 35 pessoas - entre eles várias crianças - no Estado de Bihar, o mais pobres e o segundo mais populoso da Índia, no último dos casos de violência sectária que vêm abalando a região.
Segundo sobreviventes, a chacina aconteceu pouco antes da meia-noite (hora local) de ontem (18), no vilarejo de Senari. A região tem sido o centro dos conflitos entre castas no país.
"Eles (os assassinos) esfaquearam as barrigas das pessoas e cortaram seus pescoços um por um. E enquanto fugiam atiraram para o ar", descreveu o líder religioso local Mahant Parmanand.
Quando as forças policias chegaram a Senari, os matadores já haviam fugido. O Centro Comunista Maoísta, que vem disputando com outras milícias de esquerda o domínio sobre camponeses de castas inferiores, assumiu a autoria do atentado.
De acordo com a polícia, as vítimas teriam vínculos com o exército privado Ranvir Sena, de casta superior e responsável pela morte de pelo menos 333 dalits - membros de casta inferior - nas últimas seis semanas. O atentado de hoje seria uma vingança das castas mais baixas à ação desse exército.
A mesma região foi palco, em dezembro de 1997, de um dos piores massacres entre castas. Na ocasião, o Ranvir Senna invadiu o vilarejo de Lakshmanpur Bathe e matou 61 dalits a tiros e a golpes de foice e lança.
Em resposta à violência, o primeiro-ministro Atal Behari Vajpayee tentou duas vezes, sem sucesso, derrubar o governo socialista local, há um ano no poder.
Em fevereiro, a frágil coalizão de Vaijpayee destituiu a ministra-chefe de Bihar, Rabri Devi. Na semana passada, porém, a decisão teve que ser revertida quando a câmara alta do Parlamento se opôs à iniciativa.

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