Há cerca de cinco décadas, a região onde está situada a Vila Yara (Zona Leste de Londrina) era uma fazenda com poucas casas e moradores. O tempo passou, a comunidade cresceu e hoje, assim como outras áreas da cidade, os moradores vêem a violência bater em suas portas. Buscando proteção, a solução não foi pegar em armas mas erguer os muros, instalar alarmes e cercas elétricas e protestar. Na semana passada, aproveitando o feriado da independência, uma igreja evangélica da vila promoveu uma passeata com mais de 800 pessoas para denunciar a onda de pequenos furtos, assaltos, assassinatos e uso e tráfico de drogas.
  Por causa do teor da reportagem, os moradores não quiseram se identificar. Uma empresária e moradora do bairro há mais de 23 anos, revelou que para trocar o apartamento que morava pela casa atual gastou perto de R$ 3 mil em equipamentos de segurança antes de fazer a mudança. Ela colocou cerca elétrica e alarmes nas portas e janelas para evitar arrombamentos e invasões. ‘‘Em casa, tem alarme em tudo quanto é lugar e nunca ninguém conseguiu entrar sem a gente saber’’, comemorou. Ela mora próximo à linha férrea e conta que é comum ver adolescentes usando drogas no local ou cometendo pequenos furtos nas empresas da vizinhança.
  Um taxista que reside na Vila Yara há quase 50 anos lembra que a vila surgiu a partir de um antigo povoado, onde havia uma fazenda, e fala com saudades daqueles tempos de tranqüilidade que não voltam mais. ‘‘Tem policial que mora aqui e a viatura passa. Só que os ladrões são espertos’’, falou. Ele contou que um vizinho chegou a ter a casa furtada três vezes em menos de quinze dias. ‘‘Esses meninos pegam uma coisa que vale R$ 500 só para trocar por um cigarro de droga’’, comentou. Ele afirmou que os veículos estacionados nas ruas também são alvos fáceis de arrombadores em busca de toca-CDs.
  O seminarista Alexandre de Camargos Aljarilla, 22 anos, recordou que apenas no mês de agosto três jovens foram assassinados no bairro sendo que, pelo menos, duas das mortes tinham ligação entre si. Gangues rivais de adolescentes estariam cometendo assaltos na região para comprarem armas e se confrontarem. ‘‘O tráfico e os crimes são grandes e alguém tem que se levantar para tentar amenizar esta situação’’, afirmou. Buscando oferecer uma alternativa, ele realiza um trabalho de evangelização entre os jovens do bairro e comemora que muitos deles já se livraram das drogas e se reencontraram com Deus.

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