Vila Prudente e bairro do Limão foram os mais atingidos pela enchente em SP
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segunda-feira, 03 de janeiro de 2000
Por José Gonçalves Neto 
São Paulo, 02 (AE) - Hoje foi dia de limpar a lama e contar os danos que as chuvas trouxeram para os moradores de São Paulo nos primeiros dias do ano. Desta vez, a Vila Prudente, na zona leste, nas proximidades do Rio Tamanduateí, e o Bairro do Limão, na zona norte, foram os que mais sofreram.
No Limão, os moradores tiveram de improvisar diques com sacos plásticos. Menos afortunados, os moradores das Favelas Brasil e Paraguai viram a água entrar em seus barracos, levando móveis, roupas e alimentos. Na água suja que invadiu os barracos da Vila Prudente, lixo, ratos e animais mortos cobriram as ruas e invadiram pequenos cubículos de madeira. No meio da sujeira, a maioria deixava o medo das doenças para depois, mais preocupada em salvar alguns móveis e alimentos.
Mesmo morando numa casinha construída sobre um piso elevado em meio metro, na Favela Brasil, a operária Cícera Maria de Jesus perdeu a geladeira e parte do móveis. "Fiquei presa na Avenida Inácio de Anhaia Melo e quando cheguei em casa encontrei tudo virado." Preocupada em ter o que comer, Cícera culpava a falta de limpeza do local. "Há dez anos eu moro aqui e isso se repete, ninguém recolher o lixo e os bueiros estão sempre entupidos."
De fato, o escoamento do Rio Tamanduateí funcionou bem e o rio não transbordou. Mas as bocas-de-lobo entupidas não conseguiram dar vazão ao volume de água acumulada. No local, não há lixeiras. Garrafas, sacos e diversos tipos de sucata ficam esparramados pela rua.
Na Favela Paraguai, o catador Josenildo de Melo tentava no sono conseguir forças para limpar seu cubículo de 3 metros quadrados. Deitado, tinha o rosto e os braços arranhados em consequência de um tombo que levou por causa da enxurrada. Ele tentara salvar seu carrinho de mão, mas não conseguiu. Também perdeu os remédios.Ao pé da cama, seu amigo Antônio Francisco, também catador, tentava persuadi-lo para ir ao hospital. "Vou amanhã, hoje estou com fome", respondeu Melo - a água havia levado o que tinha para comer.
Diques - No Limão, por pouco não se repetiram as cenas de inundação vistas em outros anos. Na Rua Horário Moura, a água chegou a quase 1 metro. Ricardo Tietzman, morador do local há 30 anos, improvisou um dique com sacos plásticos para que as águas não atingissem sua casa.
Na mesma rua, Simone Carvalho por pouco não viu seus três carros ser atingidos. Eles reclamam que a situação piorou bastante por causa da favela ao lado. "Com essa favela, a água não escorre e o lixo acumulado fecha as bocas-de-lobo."


