Vila Isabel sofreu contratempos, mas empolgou o público6/Mar, 1:59 Por Roberta Jansen RIO, 6 (AE) Com "Eu Sou Índio Eu Também Sou Imortal" a Vila Isabel tentou repetir ontem no Sambódromo o sucesso de Kizomba, Festa da Raça, enredo com o qual conquistou seu único título de campeã, em 1988. Dessa vez, os negros deram lugar aos índios em um desfile que procurou mostrar o cotidiano das tribos brasileiras, suas crenças e costumes. A escola, no entanto, enfrentou alguns contratempos que podem lhe render a perda de pontos. O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira só chegou na avenida vinte minutos depois do início do desfile. As fantasias da comissão de frente também atrasaram: só chegaram quando faltavam cinco minutos para o começo. "Pegamos um engarrafamento muito grande na Presidente Vargas", explicou o mestre-sala Bira Mulato. "Tentamos fazer um outro caminho, mas ficamos presos entre os carros da Porto da Pedra que não nos deram passagem." O primeiro casal acabou desfilando quase no fim da escola e não à frente da bateria, como é costume. Nesse local, saiu o terceiro casal de mestre-sala e porta-bandeira. Resta saber se os jurados não confundirão os casais. "Não teve problema, a nota veio pra gente", garantiu Bira Mulato. Um dos maiores destaques da Vila foi a comissão de frente - integrada por 14 índios, cada um deles dentro de uma oca. A coreografia procurava recriar os rituais religiosos das tribos. "Ensaiamos durante mais de quatro meses e agora a fantasia não chega", chorava, desesperada, a coreógrafa Renata Monnier na concentração, ainda a espera dos cocares e das tangas que deveriam adornar os integrantes da comissão. Quando as fantasias finalmente chegaram, ela respirou aliviada. "Foi bom acontecer porque isso vai dar ainda mais força à escola", disse. Para contar a história dos índios brasileiros e seus costumes, o carnavalesco Oswaldo Jardim evitou o brilho e, a exemplo do que acontecera em Kizomba, abusou de materiais como a palha e dos tons terra. A atriz Maria Maya, que vive a índia Potiara na minissérie A Muralha, foi um dos destaques da escola, no carro O Reino Submerso da Floresta. A atriz Danielle Winits saiu como madrinha da bateria. "Me senti muito honrada por uma escola tão tradicional quanto a Vila ter chamado uma novata como eu para madrinha", afirmou. Apesar dos contratempos, a escola conseguiu empolgar o público com o bom samba, de refrão forte, e com a sua comissão de frente que recebeu calorosos aplausos.