Vigília em julgamento reúne 200
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sexta-feira, 25 de agosto de 2000
Agência Estado De Porto Velho 
Cerca de 200 pessoas participaram da vigília organizada pelo Fórum em Defesa das Vítimas do Massacre de Corumbiara, para acompanhar o julgamento, ontem, dos sem-terra Cicero Pereira Leite e Claudemir Gilberto Ramos, acusados de matar dois policiais militares durante a desocupação da fazenda Santa Elina, no dia 9 de agosto de 1995. A maioria das pessoas que acampou na Praça Marechal Rondon, diante da 1ª Vara do Júri de Porto Velho, era parente dos sem-terra que participaram do conflito.
Um carro de som foi colocado na praça e as pessoas que discursaram atacaram o relatório do Ministério Público, principal peça de acusação contra os sem-terra. O contingente da Polícia Militar encarregado da segurança no local manteve-se distante do protesto, utilizando coletes e escudos como proteção. Nenhum incidente foi registrado.
Das dez testemunhas indicadas pelos advogados de defesa, apenas o deputado estadual Daniel Pereira (PT) depôs ontem. O deputado fez parte da comissão do governo do Estado e do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) que, após o conflito, visitou o acampamento em Corumbiara e negociou outra área para os trabalhadores.
Em depoimento à juíza Sandra Souza, os sem-terra Leite e Ramos negaram participação nas mortes dos policiais militares Ronaldo de Souza e Rubens Fidélis Miranda. Os dois garantiram que os invasores da fazenda foram vítimas de uma emboscada.
Os debates entre a defesa e a acusação começaram no fim da tarde e a decisão do júri deveria sair por volta da 1 hora de hoje.
O conflito de Corumbiara deixou nove sem-terra e dois policiais mortos. Doze PMs e dois trabalhadores rurais vêm sendo julgados em Porto Velho pelas mortes ocorridas. Dos seis policiais já julgados, dois foram condenados.


