Vigília em frente ao prédio do TJ
Giovani Ferreira
De Curitiba
Um grupo de aproximadamente 200 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) participou ontem, no Centro Cívico, em Curitiba, de uma vigília em frente ao Tribunal de Justiça (TJ). O ato lembrou os quatro anos do massacre de Eldorado do Carajás (Pará), onde 19 sem-terra morreram e outros 40 ficaram feridos num confronto com a Polícia Militar.
A vigília começou às 14 horas, com os manifestantes rezando na porta de entrada do TJ. Na sequência eles percorreram o estacionamento do prédio e reuniram-se na praça em frente ao Tribunal. Os sem-terra carregavam 21 cruzes, simbolizando as 19 mortes em Carajás e as duas mortes de militantes do movimento ocorridas ano passado no Paraná.
O local da vigília foi escolhido como forma de protestar contra a Justiça, que na avaliação do MST não está punindo com rigor a violência no campo. Ubiraci Stesko, líder do movimento no Paraná, lembrou que das 38 mortes registradas no campo nos últimos cinco anos, a maioria continua sem solução e os responsáveis ainda estão impunes.
Enquanto acontecia a vigília em Curitiba, dezenas de mulheres sem-terra protestavam em frente ao Fórum de Loanda, noroeste do Estado. Elas pediam a transferência ou o afastamento da juíza Elizabeth Khater, responsável pela comarca local, que segundo os sem-terra defende interesses da classe latifundiária. A Folha não conseguiu contatar a juíza ontem no início da noite para que comentasse sobre o protesto.
Os manifestantes também lembraram que existem 13 lideranças do MST com a prisão preventiva decretada em todo o Estado. Ubiraci disse que não existe nenhuma fundamentação jurídica para a prisão dessas pessoas. A única acusação contra eles é serem sem-terra, denuncia Ubiraci, entendendo que se trata de perseguição.
A vigília contou com a participação de integrantes de outros movimentos sindicais, que passaram pela concentração em frente ao TJ para prestar solidariedade ao MST.





