Vigilantes acusam empresa de mandar corrigir pichadores
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sexta-feira, 19 de outubro de 2007
Andréa Bertoldi<br>Equipe da Folha 
Curitiba- O Sindicato dos Vigilantes de Curitiba e Região Metropolitana (SindVigilantes) recebeu denúncias de vigilantes que trabalham para a Centronic Segurança e Vigilância de que a empresa orienta os profissionais a agredir os pichadores. Anteontem, funcionários da empresa foram presos acusados de torturar e matar o estudante Bruno Strobel Coelho Santos, 19 anos.
O secretário do sindicato, Ademir Pincheski, disse que recebeu pelo menos seis ligações ontem de vigilantes que atuam na Centronic. Eles disseram que a empresa manda ''dar um corretivo'' nas pessoas que são encontradas dentro dos locais onde a empresa monitora. ''Os vigilantes tinham que causar medo para que não tivesse mais problemas e praticavam agressões que vão desde dar um tapa até situações piores'', disse Pincheski. Segundo o sindicalista, são pessoas de confiança da empresa que recebem esta orientação.
Por conta das denúncias a Polícia Federal vai abrir um processo administrativo que pode levar ao cancelamento da autorização de funcionamento da Centronic. ''Vamos fazer uma fiscalização rigorosa e a punição pode ser o cancelamento da autorização de funcionamento'', disse o chefe em exercício da Delegacia de Segurança Privada (Delesp) da Polícia Federal no Paraná, Wilson Bonfim.
Em nota oficial a Centronic negou a orientação de mandar agredir pichadores. Informou que ''está disposta a apurar as denúncias que identifiquem os profissionais responsáveis por ordenar eventuais atos de violência que são contrários à política da companhia''. A nota esclare ainda que ''quando identificados os profissionais serão investigados e, se efetivamente deram as referidas orientações, serão desligados da empresa e responsabilizados na forma da lei''.
O SindiVigilantes afirma que vem denunciando a empresa à Polícia Federal desde 2003 pela prática de irregularidades. Entre elas, uso de armamento irregular com numeração raspada e falta de qualificação profissional dos vigilantes.
A empresa contestou as acusações e esclareceu que todo o armamento está registrado junto à PF, num total de 54 armas. A Centronic informou que ''em nenhuma hipótese fornece armamento irregular a seus funcionários'' e que os profissionais de vigilância móvel não atuam armados. Na madrugada do crime, nenhum dos profissionais de plantão portava arma de fogo da empresa, segundo a Centronic.
Bonfim esclareceu que a Polícia Federal tem cadastro das armas em poder da Centronic. Segundo ele, a empresa tem um livro de controle de armas e munições. ''Quando fizemos a verificação das armas em 2003, todas estavam registradas'', afirmou. Ele informou que a PF fiscaliza as empresas de segurança, mas não as de monitoramento eletrônico.
A Centronic presta serviços de segurança e vigilância privada e emprega 600 funcionários. Tem mais de 5 mil clientes em Curitiba e Região Metropolitana, Litoral e Londrina.


