Vigilante é indiciado no inquérito que apura irregularidades na AR da Moóca
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segunda-feira, 21 de junho de 1999
Por Gláucia Leal 
São Paulo, 22 (AE) - A polícia indiciou hoje, por concussão, o vigilante desempregado Alberto Alves Pinheiro, de 38 anos, conhecido como Magrão, no inquérito que investiga irregularidades na Administração Regional da Moóca. Ele é irmão do ex-responsável pelo setor de apreensões da regional, Alaércio Bastos Pinheiro, que também está sendo investigado pela polícia.
O delegado Naief Saad Neto, que cuida do caso, recebeu denúncias de que, mesmo não sendo funcionário da Prefeitura, Alberto Pinheiro cobrava propinas. Ele nega, embora tenha sido reconhecido por três camelôs já ouvidos pela polícia. Em seu depoimento, Magrão contou que há cerca de dez meses havia sido contratado pelo chefe da segurança do Shopping Tatuapé, João Batista Santos, por R$ 400,00 para fazer a "fiscalização informal" da parte externa do shopping.
Testemunhas afirmaram tê-lo visto em veículos da administração e agindo como se fosse funcionário da fiscalização. Magrão negou as acusações e afirmou que, segundo o contrato verbal feito com Santos, ele deveria avisar os seguranças caso visse algum vendedor ambulante nas imediações e crianças brincando nas grades de proteção. Ainda segundo ele, eram funcionários do shopping que faziam o contato com a administração regional, solicitando a remoção. Os fiscais, entretanto, costumavam demorar até um mês para a atender ao pedido.
Durante uma acareação feita hoje, entre Magrão e Santos, o chefe de segurança do Shopping Tatuapé negou as informações fornecidas por Pinheiro. Este é o terceiro indiciamento no inquérito da Moóca. O primeiro a ser indiciado foi o próprio Alaércio Bastos Pinheiro e, o segundo, o ex-funcionário público Valdir Aparecido Lastória. Os dois também são acusados de cobrança de propinas. Afastamento - Na tarde de hoje, o delegado Itagiba Franco viajou até Campinas, a 90 quilômetros da capital, para ouvir o depoimento de Ana Lúcia Rodrigues Nunes, suspeita de ser funcionária fantasma Anhembi Turismo e Eventos. Ela, o marido, Carlos Eduardo Nunes da Silva, e a sogra, Bernardete de Lourdes Guimarães Nunes, conhecida por Beth Nunes, ganhavam juntos mais de R$ 11 mil por mês. O delegado estranhou que os três, morando em Campinas, tenham sido contratados no mesmo dia, em janeiro de 1997 e também demitidos na mesma data, dia 7 deste mês.
Ontem, as duas procuradoras do Município que acompanhavam, no Departamento de Investigações e Registros Gerais (Dird), as apurações sobre irregularidades na Prefeitura de São Paulo, Maria Isabel Davidoff Enge Gorgatti e Marisa Medina, foram afastadas da função, de acordo com o delegado Romeu Tuma Júnior. Por meio da assessoria de Imprensa, o secretário se Negócios Jurídicos Edvaldo Brito negou o afastamento, apesar de as duas não terem comparecido ao Dird, onde concentram-se as investigações desde segunda-feira. Segundo o delegado, foi solicitado hoje o relatório de presença pela chefia das duas promotaras.
"Elas eram de extrema confiança e vão fazer falta, mas ainda não sabemos se, depois disso, vamos aceitar outras funcionárias enviadas pela Prefeitura", afirmou o promotor Roberto Porto, do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco). "Este afastamento é absurdo e parece, no mínimo, uma retaliação", comento o promotor José Carlos Blat
também do Gaeco. Os boatos sobre o afastamento das promotoras começaram na semana passada, mas até sexta-feira não tinham sido confirmados pela Prefeitura. Por volta das 19h30 de hoje, um assessor de Imprensa da Prefeitura confirmou que as procuradoras deveriam ser substituídas.


