Londrina - Há mais de duas décadas, o Paraná tem tido sucesso no controle da raiva em humanos. Para que isso persista, no entanto, é preciso que todos os elos desta corrente de proteção reconheçam a importância de dar o alerta ao menor sinal de perigo. Mas pelo menos em Londrina este sistema falhou: um morcego desorientado achado no quintal de uma residência no mesmo bairro onde houve um caso confirmado de raiva e a Vigilância Sanitária local se negou a fazer a coleta. E pior, orientou que o próprio morador se arriscasse na captura.
A estudante Bruna Leme de Carvalho Celestino contou que encontrou o morcego caído na tarde de 25 de março. ''Ele parecia morto mas depois percebi que tinha rastejado pelo quintal'', detalhou. Ela mora no Jardim Petrópolis (Zona Sul), onde há algumas semanas foi confirmado o primeiro caso do ano de raiva em morcego não hematófago (que não se alimenta de sangue) no Estado.
A mãe da estudante contatou a Vigilância Sanitária, foi alertada sobre o risco mas ouviu que como o animal estava vivo ninguém do órgão estaria habilitado para fazer a captura. Diante disso, o animal permanece na casa da estudante, dentro de uma caixa. Ontem, a reportagem ligou para a Vigilância, simulou a mesma situação e a resposta foi exatamente igual.


Risco
A coordenadora do Programa de Controle da Raiva da Divisão de Zoonoses da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), Márcia Zinelli da Silveira, condenou a postura da Vigilância. ''Eles têm que fazer a coleta do animal e encaminhá-lo para o laboratório. (Os fiscais da Vigilância) São vacinados com três doses da vacina antirrábica para ter contato com estes animais. Exigir que o munícipe colete sem ter a orientação necessária é colocar em risco a saúde desta pessoa'', advertiu.
Márcia orientou que as pessoas nunca devem tocar nos morcegos, principalmente em condições anormais como a relatada pela estudante. ''Os morcegos têm hábitos noturnos e, se aparecem durante o dia, desorientados, é bastante provável que estejam doentes'', explicou. Ela lembrou que a doença mata. O último caso de raiva humana registrado no Paraná foi em 1987 e foi provocado por morcego.
O diretor da Vigilância Sanitária de Londrina, João Martins, admitiu que situações como a que aconteceu com a família da estudante não podem, de maneira nenhuma, se repetir. ''O pessoal está orientado a atender imediatamente estes casos'', afirmou. E garantiu que hoje fará a coleta do animal pessoalmente. Segundo ele, além do caso positivo do Jardim Petrópolis, pelo menos oito morcegos coletados em várias regiões foram encaminhados para o Laboratório Central. Os resultados foram todos negativos para raiva.
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