São Paulo, 10 (AE) - O abastecimento de produtos derivados do sangue no País, chamados hemoderivados, mudará até o fim do ano, de acordo com o diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Gonzalo Vecina Neto. Até agora, o ministério importava os hemoderivados prontos. Vecina, no entanto, pretende usar o plasma congelado nacional, enviando a matéria-prima para que empresas estrangeiras possam extrair os hemoderivados e depois devolvê-los ao País.
Segundo Vecina, a agência já está realizando uma licitação internacional para escolher a empresa que vai extrair hemoderivados do plasma nacional. Um edital da conclusão dessa licitação deverá ser publicado em 90 dias. "Por ser uma concorrência internacional, o processo pode demorar mais do que o esperado, mas estamos certos de que até o fim do ano já estaremos enviando o plasma para o exterior", disse o diretor-presidente da agência.
O Ministério da Saúde gasta R$ 85 milhões por ano para importar hemoderivados da Alemanha, Inglaterra, áustria, França e Estados Unidos. "Vamos economizar cerca de 50% dos R$ 85 milhões mudando a forma de abastecimento", disse Vecina. Atualmente, os hemocentros do País separam todo o sangue doado e utilizam somente uma parte. A outra parte do sangue, o plasma - de onde é extraído o hemoderivado -, fica armazenado, pois não há uma fábrica brasileira que consiga extrair essas substâncias. Como a validade do plasma congelado é de três anos, muitos lotes foram desperdiçados por falta de uma forma de extrair hemoderivados.
Legislação - Vecina atribui a demora da mudança do abastecimento desses produtos no País à legislação, que impede a importação de plasma. Somente produtos prontos, como hemoderivados, podem ser adquiridos lá fora. "Estamos mudando essa lei", disse Vecina. Segundo ele, uma proposta de lei que regula essa importação já tramita no Senado e na Câmara.
O Ministério da Saúde está discutindo a questão da importação de hemoderivados há oito meses, porém somente agora uma licitação foi feita. "Há muitos fatores que precisam ser considerados", disse Vecina. "É preciso ter tempo para conversar com especialistas e analisar a situação nacional."
São produtos hemoderivados os fatores de coagulação VIII e IX, usados por hemofílicos, a albumina, para pessoas com queimaduras ou edemas, e a imunoglobulina, que estimula o sistema de defesa do corpo em pessoas que estão com infecções debilitantes.

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