Vigilância Sanitária interdita laboratório em São Paulo
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domingo, 25 de julho de 1999
Por Lígia Formenti 
São Paulo, 26 (AE) - O Laboratório de Análises Clínicas Fiori, no bairro de Santana, região norte de São Paulo, foi interditado hoje pelo Serviço de Vigilância Sanitária da Secretaria Estadual da Saúde, sob a suspeita de forjar resultados dos exames. Durante a vistoria, os fiscais constataram que reagentes usados para os testes laboratoriais estavam vencidos, o que compromete a veracidade do resultado. Segundo a Vigilância, o laboratório era clandestino e atuava sem nenhuma condição de higiene.
O diretor do Núcleo Norte da Vigilância Sanitária, Roberto Wagner Barbirato, disse que, no momento da inspeção, não havia pacientes no laboratório. Mas a julgar pela quantidade de material apreendido, o movimento na clínica deveria ser relativamente alto."O problema é sério, porque o resultado de um exame vai nortear o tratamento indicado pelo médico", afirmou. "É possível que algumas pessoas que necessitem de algum tipo de terapia tenham sido dispensadas por causa do resultado errado de um exame."
Suspeita antiga - Barbirato acredita que outros laboratórios de análises clínicas funcionem clandestinamente na região. "Não é de hoje que temos essas suspeitas", afirmou. Segundo ele, a fiscalização nessa área deverá ser reforçada. O diretor definiu o Laboratório Fiori como "escabroso". Segundo ele, havia sangue derramado pelas bancadas de análise, tubos empregados na coleta de sangue sujos e expostos. Além disso, seringas usadas eram jogadas em lixo comum. Pelas normas de segurança, depois de realizada a coleta, as agulhas têm de ser protegidas e colocadas em um lixo próprio, para evitar ferimentos em funcionários.
Mesmo a estrutura física da casa onde funcionava a clínica estava em desacordo com a lei, explicou Barbirato. Segundo ele, parte do laboratório funcionava em um quintal, protegido por uma cobertura provisória. "Para se ter uma idéia do descaso e da desorganização do laboratório, um cisto sebáceo extraído dia 6 de junho ainda estava no formol", contou. "Não sabemos se eles não encaminharam o material para análise ou se o resultado foi forjado.
Preços baixos - A suspeita da Vigilância Sanitária de que resultados dos exames eram inventados baseia-se também no preço dos testes. Segundo Barbirato, no Laboratório Fiori um exame de colesterol custa R$ 10,00, valor bem inferior à média cobrada: entre R$ 50,00 e R$ 80,00. O preço de um teste de gravidez também era baixo: R$ 20,00. Segundo Barbirato, o preço médio cobrado pelos laboratórios para esse exame é de R$ 100,00. "Todo exame tem um custo: material reagente, profissionais especializados para fazer análise do resultado", comenta. "Um valor tão irrisório já é um forte indício de que alguma coisa está errada."
No laboratório também funcionava uma clínica de estética. O nome do enfermeiro que trabalhava na instituição será levado ao Conselho Estadual de Enfermagem. O diretor da instituição, João Fiori, foi procurado hoje pelo Estado para comentar a interdição, mas não foi encontrado.


